Ao todo, estima-se que existam cerca de 100 espécies no
mundo. Mas os tipos mais populares no Brasil, o galego e o tahiti, não fazem
parte dessa lista. Na verdade, esses dois frutos não são limões. "Eles são
limas ácidas, uma espécie de cítrico que reúne no máximo dez variedades no
planeta", afirma o engenheiro agrônomo Ygor da Silva Coelho, da Empresa
Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), de Cruz das Almas (BA). As
principais diferenças entre limões e limas ácidas estão no tamanho e no gosto
ligeiramente diferente - os limões têm sabor um pouco mais suave. Apesar disso,
as duas frutas têm origens parecidas. Provavelmente, ambas apareceram na Índia
e chegaram à Europa trazidas por
mercadores árabes, ainda na Antiguidade. "O limão verdadeiro aportou na
América na segunda viagem de Cristóvão Colombo, em 1493, e logo se adaptou ao
clima temperado americano. Já as limas ácidas chegaram ao Brasil com os
portugueses, no século 16, e cresceram fácil no calor tropical", diz outro
engenheiro agrônomo, José Orlando de Figueiredo, do Instituto Agronômico de
Campinas (IAC). Além da aparência e do gosto, outra coisa que distingue os
limões das limas ácidas é o rendimento para sucos (o das limas é um pouco
melhor), mas as características nutricionais são parecidas. A presença de
vitamina C ajuda a prevenir mais de 60 doenças e é recomendada em uma dieta
saudável. "Um opção aconselhável é substituir o vinagre tradicional por
limão na hora de temperar", afirma a nutricionista Midori Ishii, da
Universidade de São Paulo (USP).
Confusão brasileira No país, os tipos mais consumidos não são limões, mas limas ácidas.
LIMÃO VERDADEIRO
Conhecido também como siciliano, eureka ou lisboa, é o limão propriamente dito, a variedade mais consumida na Europa e nos Estados Unidos. A fruta de casca amarela dá um suco menos ácido que a limonada feita com limão tahiti. O aroma suave é ideal para a extração de essências que servem de base para perfumes e cosméticos.
LIMÃO TAHITI
A variedade mais popular do país é, na verdade, uma lima ácida. O Brasil é o segundo maior produtor desse fruto verde e sem semente, que aparece em 90% das plantações do país. É excelente para fazer suco — o rendimento do sumo é de 50%, contra 42% do limão verdadeiro e bastante usado em receitas de sorvetes, doces e tortas.
LIMÃO GALEGO
Também é uma lima ácida, menor que o tahiti e de casca amarelada quando madura. Pequeno e saboroso, o galego está sumindo das prateleiras dos supermercados por causa de uma virose que infesta as plantações desde a década de 70. Mas, por ser considerado o melhor fruto para fazer caipirinha, a variedade ainda frequenta a mesa e o copo dos brasileiros.
LIMÃO CRAVO
Famoso por ter a parte interna do fruto na cor laranja, é uma mistura de limão e tangerina. A maioria das plantações dessa variedade é infestada por uma doença chamada verrugose, que, apesar de ser inofensiva para os seres humanos, deixa a casca com aparência desagradável. A combinação perfeita de acidez e açúcar faz desse limão o melhor para temperos.
Revista Mundo Estranho Edição 21/ 2003
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