sexta-feira, 6 de abril de 2012

Museu Histórico Nacional

Julia Moióli

Localizado na Ponta do Calabouço, centro do Rio de Janeiro, o Museu Histórico Nacional possui o mais abrangente acervo histórico do país. Estão ali tanto pertences dos senhores das capitanias hereditárias, do século 16, como cadernos de caligrafia com os quais, três séculos depois, dom Pedro II aprendeu a escrever. Há também relíquias de todos os períodos econômicos do Brasil-Colônia, como utensílios dos engenhos de açúcar, da extração de ouro e das lavouras de café. Entre os objetos de uso pessoal da Coroa portuguesa, há louças, tronos e até o sabre usado por dom Pedro I durante o grito da independência, em 1822.
O próprio edifício que abriga o museu é história pura. Ele foi construído em 1603 para abrigar o Forte de Santiago e defender a baía da Guanabara contra navios estrangeiros. Noventa anos depois, um calabouço do forte passou a servir de prisão para escravos faltosos – daí veio o nome do bairro ao seu redor. Em 1762, o forte abrigou o arsenal de artilharia e um quartel português. No centenário da independência, em 1922, houve ali uma exposição comemorativa que nunca mais deixou as instalações: no mesmo ano, o quartel foi oficialmente transformado em museu.

Rio antigo
Dez atrações imperdíveis na capital do Brasil português
1. Colonização e dependência
Um grande painel do pintor Clécio Penedo, de 1987, abre a exposição de objetos portugueses usados na colonização do Brasil. Há desde instrumentos de navegação originais das primeiras travessias do Atlântico, como astrolábios e bússolas, a objetos pessoais dos fidalgos das capitanias hereditárias. A economia colonial é representada na maquete do engenho de açúcar e nos utensílios de mineração.
2. Pátio dos canhões
Instalados em um tranquilo pátio interno, estão dezenas de canhões ingleses, espanhóis, portugueses, franceses e até holandeses. Entre eles, um exemplar de bronze da época de Felipe II, rei espanhol durante a União Ibérica (1580-1640), um francês com inscrição das armas de Luís XIV e outro fabricado na Espanha usado na Guerra do Paraguai.
3. Jornalismo imperial
O museu abriga as principais telas que registraram a história oficial brasileira. Sessão do Conselho de Estado, de Georgina de Albuquerque, mostra a reunião entre a nobreza portuguesa que influenciou a independência do país, em 1822. A Sagração de D. Pedro II, de Manuel de Araújo Porto Alegre, revela a coroação do imperador no dia 18 de julho de 1841, e O Baile da Ilha Fiscal, de Aurélio de Figueiredo e Melo, traz a última festa realizada pela monarquia, em 1889.
4. Combate Naval do Riachuelo
Com quase 10 metros de comprimento, a tela do pintor Vítor Meireles é o mais famoso retrato da Guerra do Paraguai e retrata a batalha de 11 de junho de 1865, próximo ao rio Paraná. Os paraguaios queriam derrubar o bloqueio naval brasileiro, mas tiveram sua esquadra destruída. A tela é a segunda versão pintada por Meireles: a primeira foi destruída em um acidente quando voltava de uma mostra nos Estados Unidos.
5. A cor do dinheiro
O acervo do museu tem mais de 127 mil moedas, mas apenas 3 mil delas são expostas. A coleção possui desde exemplares usados por celtas até o novíssimo euro. O destaque é a moeda O Índio (1499), produzida para circular nos mercados orientais em comemoração à descoberta do caminho marítimo para a Índia um ano antes. Este é o único exemplar de que se tem notícia no mundo. O museu também possui em seu acervo as primeiras cédulas emitidas pelo Banco do Brasil.
6. No tempo das carruagens
A coleção inclui coches, berlindas, cadeiras de arruar e outros veículos de tração humana e animal usados no Brasil antes da popularização do automóvel. Entre eles estão a berlinda de aparato do século 19, usada por dom Pedro II em ocasiões especiais, e a da imperatriz Teresa Cristina, que gostava de ser levada por escravos.
7. Pharmacia com ph
Fundada em 1847 na rua Gonçalves Dias, no centro do Rio de Janeiro, a Imperial Pharmacia, uma das mais antigas do Brasil, está inteiramente montada no museu. Em 1887, ela foi comprada por um de seus funcionários, o boticário português José Teixeira Novaes, e vigorou até 1987, quando os descendentes de Novaes doaram os móveis ao Museu Histórico Nacional.
8. O carro do barão
Encomendado pelo barão de Rio Branco, o automóvel Protos 17/35 PS Landaulet é um dos quatro exemplares importados pelo Brasil e um dos dois que sobraram no mundo (o outro está no Deutsches Museum, na Alemanha). O carro chegou ao Brasil durante a Grande Exposição Nacional de 1908, em comemoração ao Centenário da Abertura dos Portos às Nações Amigas, na Praia Vermelha.
9. Arte Sacra
A coleção de arte sacra conta com pinturas feitas em Cuzco, no Peru, criadas no século 17 com a função de catequizar os incas. Entre os destaques brasileiros, duas esculturas em madeira do artista barroco Mestre Valentim, São João Evangelista e São Mateus. Há também mais de 30 esculturas de marfim, peças religiosas muito populares no século 19.
10. A história em papel
Entre as raridades do arquivo histórico do museu, está a coleção do compositor Carlos Gomes, que inclui cartas, fotografias, partituras, livretos de óperas originais e a folha de rosto de sua obra-prima, O Guarani. Já no acervo de numismática estão duas bulas papais, uma  de Clemente VI, escrita na França no século 14, e outra de Júlio II, do século 15. Ambas pertenceram à família real até a independência, em 1822.

Revista Aventuras na História n° 014

Nenhum comentário:

Postar um comentário