Passados quase 60 anos do fim do holocausto e da Segunda Guerra Mundial, os judeus seguem caçando os comparsas de Adolf Hitler escondidos pelo mundo. O relatório de 2004 do Simon Wiesenthal Center (SWC), instituição que desde 1977 procura antigos nazistas ao redor do globo, mostra que 940 pessoas são atualmente investigadas por envolvimento na matança de 6 milhões de judeus durante o Terceiro Reich.
“Apesar da suposição predominante de que é tarde demais para trazer esses assassinos à Justiça, os números provam o contrário”, afirma Efraim Zuroff, diretor do SWC em Jerusalém e autor do relatório. Os suspeitos de terem participado do holocausto estariam concentrados principalmente na Polônia (350 casos sob investigação), Estados Unidos (285 casos), Canadá (194), Alemanha (35) e Áustria (27).De janeiro de 2001 a março deste ano, 27 nazistas foram condenados em todo o mundo. Segundo Zuroff, muitos outros poderiam ir a julgamento se houvesse mais vontade política dos países que os abrigam. “O que atrapalha as condenações não é a dificuldade de encontrar ou identificar os criminosos, mas a de levá-los a julgamento”, diz ele. O documento do SWC divide os países em seis categorias. Estados Unidos, Canadá e Alemanha são os mais empenhados em tomar medidas legais contra os criminosos, enquanto Romênia, Suécia, Noruega, Colômbia, Venezuela e Síria se recusam a investigar os suspeitos, quanto mais a processá-los. Outras 15 nações integram um grupo em que a escassez de informações impede uma avaliação sobre os esforços dos governos. Entre esses países está o Brasil.
A caça continua
Quatro nazistas ainda vivos. E impunes.Alois Brunner
Acusação: Braço-direito do carrasco Adolf Eichmann, foi responsável pela deportação de 110 mil judeus europeus para campos de extermínio.Situação atual: Refugiou-se em 1954 na Síria, onde atuaria como “consultor do governo”. Seu paradeiro é incerto, e o governo sírio se nega a procurá-lo. Se ainda estiver vivo, tem hoje 92 anos.
Ivan Demjanjuk
Acusação: Participou dos assassinatos em massa nos campos de extermínio de Sobibor e Majdanek. Serviu em Trawniki (treinamento do Exército alemão), na Polônia.Situação atual: Refugiado nos Estados Unidos desde 1952, teve sua cidadania americana cancelada em 2002. O governo americano tenta deportá-lo para a Polônia. Tem 84 anos.
Situação atual: Ucraniano de etnia alemã, Reimer naturalizou-se americano em 1959, mas teve a cidadania cancelada em janeiro de 2004. Aos 84 anos, ele aguarda deportação para a Polônia.
Nada Sakic
Acusação: Participação no assassinato de detentos do campo de Stara-Gradiska, na Croácia.Situação atual: Extradita da em 1998 da Argentina para a Croácia, onde nasceu. As autoridades croatas já encerraram as investigações contra Nada. Atualmente, ela tem 78 anos e espera a condenação definitiva.
Revista Aventuras na História n° 014
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