Os meteorologistas utilizam dois critérios: a velocidade dos
ventos e os danos causados pelo fenômeno. "Para ser classificado como um
furacão, o centro da tempestade deve ter ventos de pelo menos 118 quilômetros
por hora. Depois, dependendo da rapidez dos ventos e sua capacidade de
destruição, os furacões são divididos em uma escala de cinco categorias,
batizada de Saffir-Simpson, uma homenagem aos dois americanos que desenvolveram
essa gradação na década de 70", afirma a meteorologista Rosmeri Porfírio
da Rocha, da USP. A partir da categoria 3, os furacões provocam estragos
consideráveis. Quando os ventos ultrapassam 178 quilômetros por hora, eles
podem arrancar grandes árvores e levantar pequenas construções. Piores que os
efeitos das rajadas são as chuvas que acompanham a passagem dos furacões. Nos
Estados Unidos, um estudo da National Oceanic and Atmospheric Administration
(NOAA), a agência governamental que cuida de atmosfera e oceanos, revelou que
as inundações das áreas costeiras foram responsáveis por 59% das mortes
causadas por furacões nas últimas três décadas no país - o vento respondeu por
apenas 12% das vítimas. A América do Norte, aliás, voltou a sofrer os efeitos
de um furacão com a passagem do Isabel, que obrigou o deslocamento de 250 mil
pessoas e matou pelo menos 30 em setembro. Esse número, porém, é fichinha se
comparado ao 1 milhão de vítimas na passagem do furacão mais mortal da
história, que devastou Bangladesh em 1970. Sorte que nosso país não sofre com
esses desastres naturais. "Eles são mais comuns em regiões onde a água do
mar é quente e transfere umidade para a atmosfera, alimentando as enormes
nuvens de tempestade ao redor dos furacões. No Brasil, como a água do Atlântico
Sul tem temperaturas menores, não há registro desses fenômenos", diz
Rosmeri.
Escala da destruiçãoQuando os ventos ultrapassam os 178 km/h, árvores são arrancadas e casas voam pelos ares.
CATEGORIA 1
Ventos de 118 a 153 km/h
Danos mínimos
Uma tempestade passa a ser considerada um furacão quando a velocidade dos ventos no centro da tormenta é superior a 118 km/h. Nessa primeira categoria, a passagem do fenômeno praticamente não provoca destruição. Prédios e casas permanecem intactos, mas o vento arrasta arbustos e derruba galhos de árvores e placas, além de causar pequenas inundações em áreas litorâneas.
CATEGORIA 2
Ventos de 154 a 177 km/h
Danos moderados
Nesse nível, os furacões conseguem destruir parcialmente telhados, portas e janelas. No oceano, a ancoragem de pequenas embarcações pode ser rompida e ondas até 2,40 metros acima do nível normal inundam ruas da orla, obrigando a retirada dos moradores. Depois de perder força ao se deslocar pelo oceano Atlântico, o furacão Isabel foi encaixado nessa categoria ao chegar ao continente.
CATEGORIA 3
Ventos de 178 a 209 km/h
Danos Grandes
A partir dessa categoria, o furacão já é considerado um fenômeno de grandes proporções. Ventos superiores a 178 km/h conseguem derrubar árvores e gerar ondas 3 metros acima do normal, danificando casas próximas à linha da costa. Construções menores ou pouco resistentes, como trailers e casas pré-fabricadas, podem ficar completamente destruídas.
CATEGORIA 4
Ventos de 210 a 249 km/h
Danos extremos
O poder de destruição de um furacão do tipo 4 é 100 vezes maior que um do tipo 1. Ventos maiores que 210 km/h costumam causar problemas estruturais em grandes construções, derrubando paredes e tetos. Ondas 5 metros acima do normal geram inundações graves e provocam erosão nas praias. Um exemplo é o furacão Andrew, que devastou a costa da Flórida em 1992.
CATEGORIA 5
Ventos superiores a 249 km/h
Danos catastróficos
É alta a possibilidade de mortes quando passam os furacões mais violentos. Árvores são arrancadas pela raiz, placas são arremessadas, casas e edifícios inteiros podem cair. Os danos se espalham por até 16 quilômetros nas áreas próximas à costa e a região precisa ser evacuada. Nessa categoria, um dos piores foi o furacão Camille, cujos ventos de 320 km/h atingiram a costa americana no golfo do México e mataram 256 pessoas.
Revista Mundo Estranho Edição 21/ 2003
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