Mário Araujo
Como era a vida de uma
família de judeus que se escondia de Hitler.
Entre 12 de junho de 1942 e 1º de agosto de 1944, uma garota
de nome Anne Frank, alemã e judia, dividiu seus sonhos, medos, amores, ilusões
e desilusões com Kitty, o diário que ganhou de presente no aniversário de 13
anos. Nele, ela registra o dia-a-dia no chamado “anexo secreto”, um esconderijo
em Amsterdã, na Holanda. Foi lá que sua família viveu clandestinamente, numa
tentativa de se esconder da polícia nazista e dos campos de concentração
durante a Segunda Guerra Mundial.
As narrativas do diário de Anne terminam três dias antes de
o local ser descoberto. Na manhã de 4 de agosto de 1944, os moradores do
esconderijo foram levados para o campo de concentração de Auschwitz, na
Polônia. Anne e sua irmã Margot morreram de tifo no campo de Bergen-Belsen, na
Alemanha, entre 1944 e 1945. Apenas o pai, Otto Frank, sobreviveu – foi ele o
responsável pela publicação do diário da filha, que virou um tremendo sucesso
mundial, com mais de 30 milhões de exemplares vendidos.
Cotidiano silencioso
Outras quatro pessoas habitavam o local - sem fazer barulho
O anexo secreto
“O esconderijo ficava no prédio do escritório do papai”,
registra Anne em 9 de julho de 1942, o dia em que a família Frank se mudou para
lá. O prédio tinha dois andares, com escritórios, moinho e depósito de grãos.
Na parte de trás estava o “anexo secreto”.
Armário secreto
“Ninguém jamais suspeitaria da existência de tantos cômodos
por trás daquela porta cinza e lisa”, escreve em 9 de julho de 1942. Logo após
a família Frank se mudar para o anexo, uma estante de livros foi erguida na
frente da porta, tornando o esconderijo um local quase invisível.
21h - Hora do sono
“A hora de dormir começa sempre com enorme agitação.
Cadeiras são arrastadas, camas puxadas, cobertores desdobrados...”, escreve em
4 de agosto de 1943. Anne dormia num pequeno divã com umas cadeiras, para ficar
maior. A sala virava o quarto da outra família que lá morava, os Van Pels.
9h - Banho semanal
Após as 9h, aos domingos, os banhos estavam liberados. Como
não havia chuveiro lá, o banho era de canequinha, dentro de uma tina com água
aquecida. Cada um usava um local diferente. Anne, por exemplo, o tomava no
“espaço toalete do escritório”.
13h15 - Fast food
Meia hora era o tempo para o almoço – quando os funcionários
do armazém estavam fora e um pouco de barulho era permitido. No cardápio,
normalmente batatas, enlatados, sopa e o que mais os amigos e cúmplices
conseguissem comprar no mercado negro.
13h45 - Querido
diário
Anne fazia seu dever de casa logo após o almoço. As
atividades se dividiam entre línguas, matemática, história, taquigrafia ou
qualquer outro curso que se pudesse comprar por correspondência. Os estudos
aconteciam em seu quarto ou na sala comum. Era também nesse horário que Anne se
dedicava a escrever seu diário.
Aventuras na História n° 039
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