Alexandre Versignassi
Os mais poderosos nem
podem ser chamados de carros: são praticamente aviões adaptados para andar no
chão. É o caso do campeão ThrustSSC, um bólido inglês que já chegou a 1 227
km/h, superando em 3 km/h a velocidade do som. Na verdade, o ThrustSSC é uma aeronave
sem asas, composto de um cockpit encaixado entre duas turbinas de caça. Sua
impressionante potência é de 100 mil cavalos, o equivalente à potência de 111
carros de Fórmula 1 da Williams ou, para comparar com algo mais pé-no-chão, 1
818 Fiat Palio. Se o carro a jato tivesse autonomia para uma viagem longa,
percorreria os 429 quilômetros entre São Paulo e Rio de Janeiro em pouco mais
de 20 minutos. Mas ele precisaria de uma estrada especial: para que atingisse
seu recorde de velocidade, há seis anos, o trambolho teve de ser levado até um
lugar com 120 quilômetros de chão impecavelmente plano, o deserto de Black
Rock, nos Estados Unidos. Foi lá também que outro carro a jato garantiu seu
lugar na primeira fila dos mais velozes: o Spirit of America, que em uma
tentativa frustrada de quebrar a barreira do som cravou 1 086 km/h. Apesar
dessa rapidez estonteante, esses caças sobre rodas levariam uma surra de
qualquer Fórmula 1. Afinal, os carros da modalidade são insuperáveis nas
curvas: os pilotos podem virar bruscamente o volante a mais de 200 km/h sem
perder estabilidade. Como os circuitos da F-1 são travados, a velocidade final
não é tão importante na categoria. Tanto que um dos recordes mais duradouros
foi justamente a melhor média de velocidade em uma prova: 242 km/h, marca
cravada em 1971 pelo britânico Peter Gethin, em Monza, quando a pista italiana
era praticamente um oval. Mesmo dirigindo um carro BRM que hoje nem se
classificaria para uma corrida de verdade, sua marca só foi batida neste ano
pelo devorador de recordes Michael Schumacher, que chegou a 247 km/h de média
na mesma pista. Seu carro era duas vezes mais potente e infinitamente mais
equilibrado que o de Gethin, mas o hexacampeão teve de penar para melhorar o
índice porque a versão atual de Monza tem muito mais curvas no traçado.Velozes e furiosos
Carros convencionais comem poeira dos jatos, mas se dão melhor nas curvas.
Jato Thrustssc
Velocidade máxima: 1 227 km/h
Atingida em 1997
Apesar de ser o mais rápido, esse turbinado tem um corpinho de caminhão: são 10 toneladas distribuídas em 16 metros. Quase toda a área é ocupada pelas enormes turbinas Rolls-Royce, usadas por caças. Quatro anos após marcar seu recorde, o bólido foi comprado pelo Museu Britânico de Transportes pelo equivalente a 2,5 milhões de reais.
Jato Spirit of America
Velocidade máxima: 1 086 km/h
Atingida em 1996
Esse jato tem "apenas" 45 mil cavalos, menos da metade da potência do ThrustSSC. Mas pesa bem menos que o concorrente: 4 toneladas, o que equilibra as coisas. Por causa do patrocinador, uma empresa petrolífera, esse carro voador usa gasolina comum em vez de querosene de aviação. Em tese, isso prejudica a potência.
Dragter Mac Tools
Velocidade máxima: 537 km/h
Atingida em 2003
Os dragsters, veículos especialmente projetados para concursos de arrancada, são um meio-termo entre os carros a jato e os convencionais. Eles têm motores comuns, mas usam o exótico nitrometano como combustível. Sua explosão empurra os pistões com mais força que a gasolina, fazendo o motor render mais de 6 mil cavalos, só que o consumo é absurdo: 4 litros por segundo.
Fórmula Indy Penske
Velocidade máxima: acima de 410 km/h
Atingida em 2000
A Cart, entidade americana que controla a categoria, só considera como recordes as velocidades médias das voltas. Por esse critério, o carro mais veloz foi o Penske do brasileiro Gil de Ferran, que em 2000 chegou a 387,8 km/h no circuito oval de Michigan, nos Estados Unidos. Em pistas ultra-rápidas como essa são alcançados picos de velocidade acima de 410 km/h.
Protótipo WM-Peugeot
Velocidade máxima: 405 km/h
Atingida em 1988
Esse carro de design irado atingiu a maior velocidade de todos os tempos num circuito misto em 1988, durante as 24 horas de Le Mans, na França. Outro protótipo conseguiu a melhor marca fora de uma competição oficial. Estamos falando do Callaway Sledgehammer Corvette, que no mesmo ano marcou 409 km/h em testes num superoval de 12 quilômetros.
MCLaren F1
Velocidade máxima: 386 km/h
Atingida em 1988
É o mais rápido entre os veículos comerciais fabricados em série. Seu preço oficial é de 3 milhões de reais - mas pode subir ainda mais, já que o bólido saiu de linha em 1998, deixando apenas 64 unidades. Entre os veículos produzidos até hoje, o campeão é o sueco Koeniggseg: chegou a 366 km/h e, segundo a fábrica, agüenta 390 km/h. Custa 1,5 milhão de reais.
Fórmula 1 Ferrari
Velocidade máxima: 368 km/h
Atingida em 2003
A marca de 368 km/h é outro recorde na lista de Michael Schumacher, conquistado no retão de Monza, na Itália. Mas nem sempre as velocidades máximas representam superioridade na F-1, conhecida como uma categoria "boa de curva". Tanto que a marca anterior, de 362 km/h, em 2000, pertencia ao francês Jean Alesi, que na época pilotava um modesto Jordan.
Revista Mundo Estranho Edição 21/ 2003
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