Mais de 500 km/h! O homem que caiu com mais velocidade na
história, o francês Michael Brooke, cravou simplesmente 524,13 km/h, numa
competição de queda livre em 1999. Mas isso não é para qualquer um: Brooke
saltou de cabeça, mergulhando por 2 quilômetros pelo ar. Haja técnica para
conseguir isso. Um pára-quedista normal, que abre os braços e as pernas para
estabilizar o salto, acelera até 240 km/h, no máximo. A lógica é a mesma de
mergulhar numa piscina: se você for de cabeça, vai "furar"a água com
mais eficiência que quem se espatifar de barriga. Mas ainda precisamos
considerar um ponto essencial: na atmosfera, a resistência do ar não deixa a
queda passar de uma certa velocidade. Quanto mais rápido seu corpo estiver,
mais resistência a massa de ar vai impor - é só colocar a mão para fora da
janela de um carro a 100 km/h para comprovar isso. Em uma queda livre, a
rapidez cresce tanto que chega uma hora em que a resistência acaba com a
aceleração do corpo e a velocidade pára de aumentar. Outro fato importante é
que a velocidade máxima varia de acordo com a massa: quanto mais pesado o
corpo, mais rápido ele cai. Se um gordinho fizer um salto de pára-quedas, por
exemplo, ele vai ter que atingir uma velocidade razoável até que a resistência
cresça o suficiente para segurar seu peso todo. O nosso amigo rechonchudo
cairia um pouco mais rápido que alguém mais leve, já que sua velocidade final
seria um pouco maior. Se não houvesse atmosfera para brecar essa queda, as coisas
seriam diferentes: no vácuo, tudo cai à mesma velocidade, não interessa o peso.
"Sem o ar, qualquer pára-quedista bateria no chão a mais ou menos 700
km/h. É simples: quanto maior fosse a altitude do salto, maior seria a
velocidade", diz o físico Cláudio Furukawa, da Universidade de São Paulo
(USP).
Revista Mundo Estranho Edição 21/ 2003
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