Nelson Bacic Olic
Já começaram a ser divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) os dados preliminares do censo realizado durante o segundo semestre de 2000. Sem apresentar grandes surpresas, os resultados mostram que a população vem crescendo em números absolutos (somos 170 milhões), mas segundo um ritmo mais lento do que o verificado nas últimas décadas. A população está cada vez mais urbana (ultrapassou a faixa dos 80%) e feminina (para cada 100 mulheres, há 96,87 homens).
Os censos ou recenseamentos são realizados no mundo desde a Antigüidade. Nos primeiros tempos, eles se constituíam em avaliações indiretas ou contagens parciais da população, que eram feitas de forma bastante esporádica.
Da forma rigorosa e periódica, tal como é feito atualmente, o censo surgiu juntamente com o desenvolvimento do Estado-nação contemporâneo. Considera-se como o primeiro recenseamento moderno, aquele verificado na Suécia na metade do século XVIII. Desde então, quase todos os países do mundo foram adotando essa prática.
No Brasil, o primeiro censo foi feito em 1872 e o segundo, em 1890. A partir desta data, excetuando-se os casos de 1910 e 1930 (quando o censo não foi realizado ou os resultados, por não serem confiáveis, não foram divulgados) e em 1990 (o censo foi realizado em 1991), o recenseamento ocorreu de dez em dez anos.
A maioria dos resultados preliminares do censo 2000 do Brasil até agora, confirmou algumas tendências demográficas que já vinham se verificando anteriormente.
Uma primeira constatação é que a população do país continuou crescendo em números absolutos. Pelos dados divulgados, o contingente populacional do Brasil em 2000 era de quase 170 milhões de habitantes, cerca de 23 milhões a mais do que havia sido registrado no censo anterior (1991). Esse número é cerca de 17 vezes maior do que verificado no primeiro censo realizado em 1872; é aproximadamente dez vezes maior do que o registrado em 1900 e, um pouco mais de três vezes maior que em 1950.
Se, em números absolutos a população sempre cresceu, o ritmo de crescimento vem apresentando diminuição nas últimas décadas. Por exemplo, entre 1980 e 1991, a queda do ritmo de crescimento foi de 1,93% em relação à década anterior. No período compreendido entre 1991 e 2000, foi de 1,63%. A população continua crescendo, só que mais lentamente.
Do ponto de vista regional, a falta de surpresas se repetiu. Por exemplo, a posição das regiões brasileiras no ranking populacional do país manteve-se inalterado em relação a 1991.O Sudeste, com pouco mais de 72 milhões de pessoas (42,6% do total), continuou sendo a região mais populosa, seguida do Nordeste (28,1%), Sul (14,8%), Norte (7,6%) e Centro-Oeste ((6,9%). Os três estados de maior população continuaram sendo os de São Paulo (36,9 milhões), Minas Gerais (17,8 milhões) e Rio de Janeiro (14,3 milhões)
Quanto ao ritmo de crescimento da população regional, pôde-se constatar que as regiões que apresentaram os maiores índices foram a Norte (2,9%) e a Centro-Oeste (2,3%), onde estão situadas as principais fronteiras de recursos do país. As demais regiões, justamente as mais populosas, tiveram um ritmo de crescimento pouco inferior à média brasileira.
Outro resultado, foi o aumento ainda maior da população urbana, que desta vez ultrapassou a marca de 80% (era de 75,6% em 1991). As regiões mais urbanizadas continuam sendo respectivamente a Sudeste (90,5%), a Centro-Oeste (86,7%), enquanto as menos urbanizadas são a Norte (69,7%) e Nordeste (69%).
Vale a pena chamar a atenção para dois outros aspectos. O primeiro é que as mulheres estão cada vez mais numerosas em relação aos homens. Para cada 100 brasileiras, existem 96,87 brasileiros. O segundo, é que a participação dos jovens no conjunto da população está diminuindo, enquanto vem aumentando a de adultos e idosos. Sobram mulheres e faltam homens. Precisaremos cada vez menos de pediatras e cada vez mais de geriatras.
Independentemente dos resultados do censo, um problema continua a se colocar. A divisão do Brasil nas cinco regiões político-administrativas do IBGE não é suficientemente esclarecedora para acompanhar não só a dinâmica demográfica como econômica do país.. A divisão “ibegeeniana” serve apenas como base da organização das estatísticas censitárias. Atualmente, utiliza-se muito mais a divisão do Brasil em complexos regionais (Centro-Sul, Nordeste e Amazônia).
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