As modalidades variam de acordo com o número de saltadores -
o salto pode ser individual ou em dupla, quando os atletas tentam fazer
movimentos sincronizados - e com a altura do pulo. As disputas podem acontecer
em trampolins de 1 e 3 metros e em plataformas de 5 a 10 metros. Em cada etapa
das competições, os saltadores realizam cinco saltos, partindo de cinco
posições diferentes. Depois da saída, os atletas começam uma série de
acrobacias, escolhidas previamente por cada um deles. Na hora de avaliar as piruetas,
cada juiz dá uma nota de zero a 10, levando em conta a potência muscular do
atleta, a precisão e a leveza dos movimentos. Mas a nota começa a ser definida
um dia antes do torneio, quando os saltadores apresentam as listas com suas
piruetas para os organizadores. Dependendo das acrobacias escolhidas, os sete
juízes definem o grau de dificuldade de cada salto. O tal grau de dificuldade é
um número que aumenta quanto mais complicado for o salto, e geralmente varia
entre 1 e 4 - mas ele pode ser até maior, pois não há limite máximo. Esse grau
é usado para multiplicar as notas dos jurados, determinando a avaliação final
de cada competidor. Juntando tudo, o sistema de notas funciona assim: um atleta
pula e recebe notas dos sete jurados. A mais alta e a mais baixa são
eliminadas, as cinco restantes são somadas e, depois, multiplicadas pelo grau
de dificuldade. Vamos dar um exemplo: um saltador que escolhe saltos fáceis,
com grau de dificuldade 2, e tira cinco notas 9 (um total de 45 pontos,
portanto), terá uma nota final de apenas 90 (45 x 2 = 90). Já um atleta mais
ousado, que monta uma seqüência com grau de dificuldade 4, venceria o rival
mesmo que ganhasse cinco notas 6 no salto, totalizando 30 pontos. Afinal,
depois de multiplicar sua pontuação pelo grau de dificuldade, sua nota final
seria de 120 (30 x 4 = 120). "Os brasileiros, por exemplo, conseguem boas
notas, mas costumam perder no grau de dificuldade. Por aqui, o problema é a
falta de instalações adequadas. Os trampolins e as plataformas ruins não permitem
saltos sofisticados", afirma o treinador Ivan Paixão, da Federação
Aquática Paulista.
Tibum acrobático
Perfeição e grau de dificuldade dos movimentos determinam a
nota final.
Bananeira nas alturas
Nas competições, os atletas realizam seqüências de saltos
partindo de posições diferentes. Nos trampolins, são cinco posições iniciais:
de frente, de costas, revirado (saindo de costas, mas girando para a frente),
pontapé à Lua (saindo de frente e girando para trás) e parafuso. Na plataforma,
há ainda a saída em parada de mão ou equilíbrio.
Queda estética
A postura do atleta conta pontos em todos os momentos do
salto. O ideal é combinar precisão e leveza. Na saída em equilíbrio, por
exemplo, o atleta precisa de muita
potência muscular para ficar bem retinho. Por isso, essa posição inicial é
considerada a mais difícil dos saltos ornamentais.
Bomba voadoraDepois da saída, o atleta começa a executar sua série de piruetas. Existem quatro tipos de posições em um salto de verdade, o atleta escolhe uma ou duas delas, mas nós vamos mostrar todas. Ao lado, você vê a posição grupada (igual à popular "bomba"), em que o atleta abraça as pernas flexionando o corpo.
Veredicto implacável
Enquanto o atleta rodopia no ar, os juízes observam
atentamente os saltos para avaliar a perfeição dos movimentos. Nas principais
competições, há sete juízes, três em uma borda da piscina e quatro em outra.
Como seus ângulos de visão são diferentes, as notas mais alta e mais baixa são
eliminadas. As cinco notas que sobram são somadas, e depois multiplicadas pelo
grau de dificuldade das manobras.
Igualzinho à Daiane
Uma segunda posição bem comum durante as acrobacias é a
carpada. Já ouviu esse nome na ginástica olímpica? É a mesma posição usada pela
ginasta Daiane dos Santos no salto que a consagrou no solo, o "duplo twist
carpado". Nessa manobra, o atleta abraça as coxas, mas mantém as pernas
esticadas.
Espreguiçada aérea
Outra posição possível é a estendida. O nome diz tudo: o
atleta estica ao máximo os braços e pernas já se preparando para entrar bem
reto na piscina. A quarta e última posição nos saltos ornamentais é a livre,
que varia de acordo com a criatividade de cada competidor.
Final discreto
O salto termina com a entrada na água, que conta bastante na
avaliação dos juízes como as piruetas duram menos de 1
segundo, a última impressão é muito importante. O ideal é levantar o mínimo
de água da piscina. Para isso, o corpo do nadador deve estar bem estendido e o
mais vertical possível em relação à água.
Revista Mundo Estranho Edição 31/ 2004
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