Remédio de marca é um medicamento inovador, inédito no
mercado, genérico é um clone perfeito do remédio de marca e similar é uma cópia
"aproximada" desse medicamento. Vamos explicar essas diferenças dando
uma idéia de como se inventa uma nova droga. Para criar um remédio de marca, é
preciso descobrir um princípio ativo, ou seja, uma substância química que seja
capaz de curar uma doença. É um trabalho duro, que pode levar décadas e torrar
milhões de dólares em pesquisa. Para compensar a ralação, a lei de patentes do
Brasil garante que o laboratório que cria um novo remédio possa recuperar seu
investimento vendendo a invenção sem concorrentes, por até 20 anos. Quando esse
prazo acaba, outros laboratórios podem copiar o princípio ativo da droga para
lançar uma cópia exata, o genérico. Mas isso não basta: antes de chegar às
prateleiras, um genérico precisa ser aprovado por testes de equivalência
farmacêutica e de bioequivalência, que vão medir se ele funciona no corpo
humano igualzinho à droga inovadora. É nessa parte da história que entram os
similares: eles também são cópias dos remédios de marca, só que eles agem de
uma forma um pouco diferente no organismo. Por isso, eles não foram aprovados
pelos tais testes farmacêuticos. Como é possível que eles estejam nas
prateleiras? Seguinte: até 1996, o Brasil não tinha uma lei de patentes para
proteger as drogas inovadoras. Aí, qualquer laboratório podia copiar o remédio
de marca e tascar na farmácia, na forma de similar. A vantagem é que eles são
mais baratos (e muitos deles são confiáveis), mas vale perguntar para o seu
médico se ele recomenda o similar que você está pensando em levar. Na
farmacinha ao lado, a gente aprofunda a distinção entre esses três tipos de
droga, explicamos o que significam os nomes na caixa dos remédios e mostramos
as diferenças entre os tipos de tarja.
Na caixa
Embalagem traz sete informações.
Dosagem
Nome fantasia
Princípio ativo
Informação Adicional
Forma farmacêutica
Tipo de receita
Nome do laboratório
Original, clone e Xerox
Só os genéricos são cópias idênticas dos de marca.
Remédio de marca
É o medicamento inovador, criado a partir de alguma nova
substância sintetizada em laboratório, o chamado princípio ativo. Para
desenvolvê-lo, gastam-se décadas e milhões de dólares por isso,
remédios de marca são protegidos por leis que garantem exclusividade nas
farmácias por até 20 anos. Na embalagem, o remédio traz um nome
inventado (o nome "fantasia"), o do princípio ativo e o da empresa
que criou a fórmula.
Genérico
Indicado por uma tarja amarela na embalagem, é uma cópia
fiel do remédio de marca: possui o mesmo princípio ativo (que, aliás, é o
"nome" do genérico), a mesma dosagem, a mesma forma farmacêutica e
age de maneira idêntica no organismo. A vantagem é o preço, em média 40% mais
baixo que o remédio de marca. Para certificar a semelhança, o genérico precisa
passar por exames que comprovem a equivalência antes de chegar à prateleira.
Similar
Também é uma cópia do medicamento de referência, mas não tão
exata quanto o genérico. Como o similar não é aprovado pelos testes
farmacêuticos de equivalência, não dá para considerá-lo um substituto perfeito
do remédio de marca. A caixa traz um nome fantasia, o do princípio ativo e o da
empresa que copiou o medicamento. Apesar de ele ser barato, a dica é sempre
perguntar para o seu médico se o similar que você quer comprar é confiável.
Aquarela farmacêutica
Cor da tarja depende dos efeitos colaterais.
Tarja preta
Indica que o remédio tem alto risco de apresentar efeitos
colaterais o principal problema é a possibilidade
de o paciente se viciar. Usados geralmente para tratamento de problemas
psíquicos, como depressão e esquizofrenia, os de tarja preta só podem ser vendidos
com receita especial, que fica com o farmacêutico depois da compra.
Tarja vermelha com retenção de receita
Mostra que o medicamento pode causar efeitos colaterais,
embora não seja tão perigoso e tenha menor poder viciante que os de tarja
preta. Entre os medicamentos desse tipo estão certos anabolizantes e
antidepressivos como o Prozac. Para comprá-los, também é preciso apresentar uma
receita que fica na farmácia.
Tarja vermelha
Significa que o remédio pode causar efeitos colaterais e só
pode ser vendido com receita médica mas não é preciso
deixá-la com o farmacêutico porque, em tese, os de tarja vermelha não são tão
perigosos quanto os de tarja preta. Na prática, muitas farmácias não exigem
receita para vender esses remédios, aumentando o perigo da automedicação.
Sem tarja
Também conhecidos pela sigla OTC (do inglês over the
counter, "em cima do balcão"), os remédios sem tarja podem ser
vendidos sem receita médica porque têm efeitos colaterais mais amenos. De novo,
o grande perigo é que o paciente exagere na dose ou resolva comprar remédios
sem antes passar no médico.
Revista Mundo Estranho Edição 31/ 2004
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