Uma tática singular
de sequestro domina a vida dos anfípodas, minúsculos animais aparentados com os
camarões. Desprovidos de defasa contra peixes predadores, eles capturam ainda
menores denominadas pterópodes. Estes excretam substâncias tóxicas que defendem
sequestrado e sequestrador. Durante
vários dias, a desengonçada dupla passeia pelo fundo gelado das águas da
Antártica, onde foi flagrada pelos biólogos James McClintock da Universidade do
Alabama, e John Janssen, da Universidade Loyola, ambas nos Estados Unidos. É a
primeira vez que se observa um organismo promover um rapto para obter defesa
química. Trata-se de um simbiose, um espécie de cooperação entre dois
organismo, mas de um novo tipo. É útil para o anfípoda, pois os peixes que abocanham
a dupla cospem-na fora logo em seguida. Mas o pterópode, compulsoriamente
transformado em mochila viva, não ganha nem perde nada. Isso
mostra como podem ser sofisticadas as relações dos organismos, diz McClintock.
Revista Super Interessante n° 038
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