Cíntia Cristina da Silva
Quem não é do ramo nem imagina o tamanho da ralação. O
primeiro passo, claro, é definir uma história para contar. Em seguida, é
preciso bolar um roteiro, o documento que traz as falas do desenho e as
indicações técnicas para orientar a produção - como será cada cena, o que cada
personagem vai fazer e assim por diante. A terceira etapa é transformar o
roteiro no chamado storyboard, uma espécie de história em quadrinhos que dá uma
idéia do que vai acontecer em cada quadro. Quando o storyboard está pronto, aí sim
desenhistas, diretores de arte e dubladores assumem o desafio de compor a
mágica da animação. Aliás, mágica coisa nenhuma: por trás de um desenho
animado, o que tem é muito suor. Veja por exemplo os números do desenho A Turma
da Mônica, que era exibido no canal de TV a cabo Cartoon Network. Para produzir
apenas um episódio de sete minutos, os desenhistas usam mais de 200 mil folhas
ilustradas! Participam do processo mais de 20 artistas, que demoram cerca de um
mês para aprontar cada episódio. A idéia de dar ação a desenhos começou a ser
concretizada pelo belga Joseph Plateau. Em 1832, ele inventou um disco com
várias figuras que dava a impressão de movimento quando os rabiscos eram
girados na frente de alguém. Mais de 70 anos depois, em 1906, o inglês James
Stuart Blackton fotografou mais de 3 mil desenhos quadro a quadro, criando o
filminho Humorous Phases of Funny Faces ("Fases Humorísticas de Caras
Engraçadas"), considerado o primeiro desenho animado da história. Nas
obras pioneiras, praticamente tudo era feito a mão. A história mudou na década
de 90, com a ajuda dos computadores. Graças a eles, ficou mais fácil e rápido
adicionar cor e movimento aos personagens. As máquinas também abriram caminho
para as animações 3D, como as sagas de Toy Story e Shrek.
"Toneladas" de trabalho
Um episódio de 7 minutos usa 200 mil ilustrações e leva um
mês para ficar pronto.
1. A produção de um desenho animado começa longe das
pranchetas. Primeiro, é preciso escrever um roteiro com as indicações
principais sobre a história. Esse roteiro dá origem a um storyboard, uma
espécie de história em quadrinhos com as principais cenas do desenho. Só para
dar uma idéia, o storyboard de um filminho de sete minutos costuma ter de 200 a
250 quadrinhos.
2. A etapa seguinte é detalhar as cenas do storyboard,
gravando a história em quadrinhos em vídeo. Para definir o tamanho de cada
cena, os próprios animadores imitam as falas dos personagens. Essa espécie de
"rascunho" de som e imagem forma o rolo da história, uma fita de
vídeo que serve de base para as próximas fases da produção.
3. Com o rolo da história na mão, os animadores iniciam o
planejamento do desenho, definindo cenários, enquadramentos, expressões e
posições dos personagens. Depois de tudo decidido, entra em cena a equipe de
desenhistas. A produção é segmentada: uma parte do time cuida só do cenário,
enquanto outra dá vida aos personagens.
4. Nessa fase, os desenhos ainda são riscados a lápis,
direto em folhas de papel. Toda essa montanha de rabiscos mais o rolo da
história ficam guardados na partitura de animação, uma grande pasta com as
informações essenciais da produção: a base de som para os dubladores, o
planejamento de cada imagem e os desenhos que depois ganham tinta e cor.
5. Todas essas informações são analisadas pelo diretor de
animação. Ele verifica se as falas cabem em cada cena e avalia se o movimento
dos personagens está legal. Para que a animação fique perfeita, cada segundo de
desenho precisa ter pelo menos 24 desenhos. Um simples "Oi, tudo
bem?", de 1 segundo e meio, consome 36 desenhos!
6. Depois que o diretor analisou o movimento e a evolução
das cenas, a equipe de arte final entra em ação. Nessa fase, os desenhos
recebem um traço a tinta. Depois, eles são escaneados e pintados no computador.
Em uma animação de sete minutos, quase 200 mil folhas de sulfite passam por
esse processo.
7. O passo seguinte é a composição da animação. Com a ajuda
de um programa de computador, os desenhos dos personagens são inseridos no cenário
e a seqüência da animação é montada. Depois disso, o filminho digital fica
gravado no disco rígido do computador. Por meio de outro software, ele é
convertido para película, dando origem a um rolo de filme.
8. Ainda falta gravar o áudio final. Em um estúdio de som,
os dubladores dão voz aos personagens e os sonoplastas acrescentam efeitos
sonoros. Por último, a película e a trilha de áudio vão para um laboratório
onde som e imagem são fundidos na mixagem. E o rolo de filme está pronto!
Revista Mundo Estranho Edição 31/ 2004
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