O emissário submarino é um sistema de recolhimento e
lançamento de esgoto doméstico no mar. Quer dizer que toda aquela sujeirada é
jogada na água e pronto? Não, não é bem assim. Primeiro o esgoto passa por
várias etapas de tratamento e quando é despejado já perdeu mais de 90% dos
coliformes fecais que possuía. O resto da limpeza, aí, sim, fica por conta da
diluição e dispersão natural dos resíduos domésticos na imensidão do mar. É
claro que, se não forem tomados certos cuidados, a área onde o esgoto tratado é
lançado pode sofrer algum tipo de desequilíbrio ecológico. "Essa região
sempre acaba tendo um impacto ambiental, principalmente no fundo do mar, onde é
feita a descarga. Se não ocorrer uma diluição correta, o nível de oxigênio da
água pode baixar e afetar pequenos vegetais e animais que vivem em suspensão na
água do mar", diz o engenheiro Edward Brambilla, da Companhia de
Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). Por isso, antes de instalar
um emissário submarino, a empresa de saneamento responsável pela cidade
precisar fazer uma série de estudos sobre a região, analisando desde o tamanho
da população local até o comportamento das correntes marítimas da área. Também
é necessário obter uma licença de órgãos governamentais que cuidam de questões
ecológicas. "Os projetos devem atender às resoluções do Conselho Nacional
do Meio Ambiente (Conama)", afirma a bióloga Claudia Lamparelli, da
Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), de São Paulo. Como
cada região tem características próprias, o comprimento e a profundidade dos
emissários submarinos variam muito. O de Ilhabela (SP), por exemplo, tem 250
metros de comprimento, contra os mais de 4 quilômetros dos emissários de Santos
(SP) e da praia de Ipanema, no Rio de Janeiro. Existem cerca de 20 emissários
submarinos em todo o Brasil.
Operação praia limpa
Esgoto pré-tratado em terra é lançado no mar a vários
quilômetros da praia.
1. A estrutura que envolve um emissário submarino começa com
a coleta do esgoto domiciliar de uma cidade litorânea. Essa sujeirada toda é
recolhida e bombeada para uma estação de pré-condicionamento (EPC), onde será
feito um tratamento preliminar do esgoto num ritmo impressionante de 3 500
litros por segundo.
2. Na EPC são três etapas de limpeza. Primeiro, o esgoto
passa por grades que retêm garrafas plásticas de refrigerantes, pedaços de
madeira etc. Depois, um conjunto de peneiras remove resíduos mais finos por elas não passam partículas com tamanho maior que 1,5 milímetro.
Por último, caixas de areia filtram substâncias como óleos e graxas.
3. Antes de seguir para a tubulação do emissário, o esgoto
pré-tratado ainda passa por uma etapa de desinfecção. A aguaceira toda segue se
movimentando por tanques onde recebe aplicações de cloro. Assim, são eliminados
de 98% a 99% do total de coliformes fecais que estavam no esgoto recolhido.
4. A tubulação do emissário capta o esgoto tratado pela EPC
e segue por debaixo da terra. Ao chegar à praia, um aterro pode ajudar a
proteger a tubulação enterrada. Esse aterro às vezes se estende mar adentro. Em
Santos (SP), por exemplo, ele avança 500 metros no mar e virou uma área de
lazer.
5. Terminado o aterro, o emissário ainda se estende por uma
longa distância em Santos são mais 4,5 quilômetros. A
tubulação de aço tem 1,75 metro de diâmetro e é fixada no solo oceânico com
anéis de concreto, em profundidades que atingem até 15 metros.
6. Nos últimos metros do emissário ficam os difusores, furos
por onde o esgoto é lançado na água do mar. A região onde estão os difusores se
chama zona de mistura e é monitorada constantemente para ver se o emissário não
está provocando algum impacto ambiental.
7. O esgoto lançado é chamado de pluma. Após alguns segundos
em contato com a água do mar a concentração dele é reduzida na ordem de 100
vezes. Caso a pluma não esteja diluída o bastante quando chegar a 300 metros da
praia, é necessário melhorar o tratamento do esgoto ou aumentar o comprimento
do emissário.
Revista Mundo Estranho Edição 31/ 2004
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