Sem esses trajes avançados, um ser humano duraria poucos
segundos do lado de fora de uma espaçonave. Para se ter uma idéia da tecnologia
presente numa roupa dessas, basta dizer que ela é capaz de criar uma pressão
interna artificial, evitando que o corpo do astronauta se despedace atraído
pelo vácuo quase absoluto do espaço. A roupa também protege contra as variações
de temperatura, a radiação solar e o impacto de micrometeoritos, que podem se
chocar contra o traje como um tiro. "Vejo a roupa como se fosse um tipo de
nave espacial", diz o astronauta brasileiro Marcoar Pontes, que trabalha
na Nasa, a agência espacial americana.
Moda espacial
No início dos anos 60, o pioneiro Gagarin vestia um simples
macacão pressurizado.
1961 - GAGARIN
O russo Yuri Gagarin foi o primeiro ser humano a ir ao
espaço. Seu traje era um macacão pressurizado, semelhante aos dos pilotos de
aviões que voam em grandes altitudes. Os trajes do projeto Mercury (1961-63),
que levou os primeiros americanos ao espaço, eram bem parecidos.
1965-66 - GEMINI
Fazer o primeiro homem flutuar no espaço era um dos
principais objetivos do projeto Gemini. Para isso era preciso muito mais que um
jaquetão pressurizado. A nova roupa protegia contra variações de temperatura,
radiações e micrometeoritos. O oxigênio, porém, vinha por um tubo ligado à nave.
1968-72 - APOLLO
As roupas usadas pelos americanos Neil Armstrong e Buzz
Aldrin para pisar na Lua davam suporte de vida. Com elas surgiram os
"mochilões" nas costas dos astronautas, onde havia tanques de
oxigênio, água etc. A roupa pesava 82 quilos o
equivalente a 14 quilos na Lua, devido à diferença de gravidade.
1974-75 - SKYLAB
No projeto Skylab primeira estação
espacial permanente a roupa era basicamente a mesma das missões lunares
Apollo. A principal inovação foi o safer: um propulsor dirigível movido a
nitrogênio, que permitia que o astronauta se deslocasse no espaço em atividades
fora de sua nave.
Traje a rigorA "armadura sideral" de hoje pesa 130
quilos e custa cerca de 2 milhões de dólares.
CABEÇA FEITA
O capacete espacial tem um visor com filtros que protegem os
olhos da luz solar direta. Além dele o astronauta também usa na cabeça uma
touca com fones de ouvido e microfones para comunicação via rádio. Ah, é claro
que no capacete não poderia faltar um canudinho (ligado a uma bolsa), que
garante o suprimento de água potável.
MOCHILEIRO HI-TECH
Essa espécie de mochila que os astronautas carregam nas
costas é um superkit de sobrevivência, que dá um suporte de vida de oito horas.
Ela guarda desde a bateria que faz todo o traje funcionar até suprimentos de
oxigênio e água. Na parte da frente do tronco há ainda um compartimento
retrátil com ferramentas e o controle de temperatura da roupa.
DIREÇÃO PERIGOSA
Para se movimentar fora da nave, o astronauta tem um
propulsor adaptado à roupa. Chamado de safer, o aparelho parece uma espécie de
encosto de cadeira e é comandado por um joystick retrátil que pode ficar perto
do peito da pessoa. O propulsor é movido com nitrogênio, mas o combustível é
limitado: se ele acabar, o astronauta pode ir, literalmente, para o espaço.
CORTE SOB MEDIDA
A roupa é dividida em módulos: capacete, tronco, braços,
pernas, luvas e botas. As várias partes são presas umas nas outras por travas
mecânicas que se fixam após um pequeno giro. Os
módulos são intercambiáveis, ou seja, podem se unir a outras peças maiores
ou menores. Isso é útil (e econômico) pois permite a adaptação de uma mesma
roupa para astronautas de medidas diferentes. O traje completo pesa 130 quilos.
FRALDA, EU?
Além do grosso traje externo, os astronautas também têm suas
roupas de baixo. Uma delas é um macacão tipo ceroula por onde passam centenas
de microcanos de água que servem para controlar a temperatura corporal. Mas o
pior é a segunda roupa de baixo: uma fralda superabsorvente que permite ao
astronauta se aliviar fora da nave mesmo.
OS FIOS DA MEADA
Um traje espacial é branco para refletir os raios do Sol e
evitar um superaquecimento. Ele tem 14 camadas de tecidos, com materiais tão
diferentes como náilon, alumínio e neoprene. As três primeiras camadas (de
dentro para fora) servem para controlar a temperatura e a quarta mantém a
pressão interna da roupa. As camadas restantes são para frear o impacto dos
micrometeoritos. Com essa tecnologia toda, o traje custa cerca de 2 milhões de
dólares!
Revista Mundo Estranho Edição 31/ 2004
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