segunda-feira, 15 de julho de 2013

Como funcionam as roupas dos astronautas?

Fernando Badô

Sem esses trajes avançados, um ser humano duraria poucos segundos do lado de fora de uma espaçonave. Para se ter uma idéia da tecnologia presente numa roupa dessas, basta dizer que ela é capaz de criar uma pressão interna artificial, evitando que o corpo do astronauta se despedace atraído pelo vácuo quase absoluto do espaço. A roupa também protege contra as variações de temperatura, a radiação solar e o impacto de micrometeoritos, que podem se chocar contra o traje como um tiro. "Vejo a roupa como se fosse um tipo de nave espacial", diz o astronauta brasileiro Marcoar Pontes, que trabalha na Nasa, a agência espacial americana.
Moda espacial

No início dos anos 60, o pioneiro Gagarin vestia um simples macacão pressurizado.
1961 - GAGARIN

O russo Yuri Gagarin foi o primeiro ser humano a ir ao espaço. Seu traje era um macacão pressurizado, semelhante aos dos pilotos de aviões que voam em grandes altitudes. Os trajes do projeto Mercury (1961-63), que levou os primeiros americanos ao espaço, eram bem parecidos.
1965-66 - GEMINI

Fazer o primeiro homem flutuar no espaço era um dos principais objetivos do projeto Gemini. Para isso era preciso muito mais que um jaquetão pressurizado. A nova roupa protegia contra variações de temperatura, radiações e micrometeoritos. O oxigênio, porém, vinha por um tubo ligado à nave.
1968-72 - APOLLO

As roupas usadas pelos americanos Neil Armstrong e Buzz Aldrin para pisar na Lua davam suporte de vida. Com elas surgiram os "mochilões" nas costas dos astronautas, onde havia tanques de oxigênio, água etc. A roupa pesava 82 quilos — o equivalente a 14 quilos na Lua, devido à diferença de gravidade.
1974-75 - SKYLAB

No projeto Skylab — primeira estação espacial permanente — a roupa era basicamente a mesma das missões lunares Apollo. A principal inovação foi o safer: um propulsor dirigível movido a nitrogênio, que permitia que o astronauta se deslocasse no espaço em atividades fora de sua nave.
Traje a rigorA "armadura sideral" de hoje pesa 130 quilos e custa cerca de 2 milhões de dólares.

CABEÇA FEITA

O capacete espacial tem um visor com filtros que protegem os olhos da luz solar direta. Além dele o astronauta também usa na cabeça uma touca com fones de ouvido e microfones para comunicação via rádio. Ah, é claro que no capacete não poderia faltar um canudinho (ligado a uma bolsa), que garante o suprimento de água potável.
MOCHILEIRO HI-TECH

Essa espécie de mochila que os astronautas carregam nas costas é um superkit de sobrevivência, que dá um suporte de vida de oito horas. Ela guarda desde a bateria que faz todo o traje funcionar até suprimentos de oxigênio e água. Na parte da frente do tronco há ainda um compartimento retrátil com ferramentas e o controle de temperatura da roupa.
DIREÇÃO PERIGOSA

Para se movimentar fora da nave, o astronauta tem um propulsor adaptado à roupa. Chamado de safer, o aparelho parece uma espécie de encosto de cadeira e é comandado por um joystick retrátil que pode ficar perto do peito da pessoa. O propulsor é movido com nitrogênio, mas o combustível é limitado: se ele acabar, o astronauta pode ir, literalmente, para o espaço.
CORTE SOB MEDIDA

A roupa é dividida em módulos: capacete, tronco, braços, pernas, luvas e botas. As várias partes são presas umas nas outras por travas mecânicas — que se fixam após um pequeno giro. Os módulos são intercambiáveis, ou seja, podem se unir a outras peças maiores ou menores. Isso é útil (e econômico) pois permite a adaptação de uma mesma roupa para astronautas de medidas diferentes. O traje completo pesa 130 quilos.
FRALDA, EU?

Além do grosso traje externo, os astronautas também têm suas roupas de baixo. Uma delas é um macacão tipo ceroula por onde passam centenas de microcanos de água que servem para controlar a temperatura corporal. Mas o pior é a segunda roupa de baixo: uma fralda superabsorvente que permite ao astronauta se aliviar fora da nave mesmo.
OS FIOS DA MEADA

Um traje espacial é branco para refletir os raios do Sol e evitar um superaquecimento. Ele tem 14 camadas de tecidos, com materiais tão diferentes como náilon, alumínio e neoprene. As três primeiras camadas (de dentro para fora) servem para controlar a temperatura e a quarta mantém a pressão interna da roupa. As camadas restantes são para frear o impacto dos micrometeoritos. Com essa tecnologia toda, o traje custa cerca de 2 milhões de dólares!
Revista Mundo Estranho Edição 31/ 2004

Nenhum comentário:

Postar um comentário