segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

E se...Robert Kennedy não tivesse sido Assassinado?

por Antônio de Freitas Neto
A história dos Kennedy foi marcada por fatalidades. A mais grave aconteceu em 1963, quando o presidente norte-americano John Kennedy foi assassinado em Dallas, no Texas. A tragédia transformou seu irmão mais novo, Robert, no virtual sucessor da dinastia política do clã. Bob elegeu-se senador pelo estado de Nova York em 1964 e, quatro anos mais tarde, era favorito à vaga dos democratas nas eleições presidenciais. Na noite de 4 de junho de 1968, Bob Kennedy comemorava a vitória nas eleições primárias da Califórnia quando foi assassinado com um tiro na cabeça. Para o historiador Roberto Buzzanco, da Universidade de Houston, nos Estados Unidos, muita gente acreditava que ele seria indicado. “Ele era um dos políticos mais populares no final dos anos 60”, afirma. O pesquisador Gunther Rudzit, do Núcleo de Políticas e Estratégia da Universidade de São Paulo (USP), também não tem dúvidas de que Bob seria eleito presidente. “Robert tinha herdado a mística do irmão.”
Mas como seria o governo de Bob Kennedy? Seu último discurso pode dar algumas pistas. “Podemos acabar com as diferenças nos Estados Unidos, sejam elas entre brancos e negros, entre os pobres e os ricos. Somos um grande país, altruísta e clemente”, disse poucas horas antes de ser morto. “Kennedy tinha o apoio de negros, latinos, jovens e outros grupos que estavam fora do centro de poder”, diz Buzzanco. Para ele, encerrar a guerra significaria pôs fim às divisões sociais.
Bob era um notório defensor dos direitos civis e, portanto, podemos imaginar um governo mais atento às políticas sociais. “Entre seus assessores estavam alguns dos principais idealizadores das políticas afirmativas que surgiriam só na década de 80”, diz Arthur Meier Schlesinger Jr., historiador americano autor de Robert Kennedy and His Time (“Robert Kennedy e Seu Tempo”, inédito em português)
Uma das primeiras escolhas polêmicas e decisivas para o presidente Bob Kennedy seria a permanência ou a retirada das tropas americanas no Vietnã. Em 1969, a opinião pública estava dividida. Porém, se cumprisse o que prometeu em campanha, é provável que Kennedy encerrasse a guerra muito antes do que foi feito. “Ele era contrário à presença no Vietnã e em seus discursos disse, mais de uma vez, que os Estados Unidos já haviam cumprido seu papel para deter o efeito dominó do comunismo na Ásia”, afirma Meier. Ele calcula que, se os Estados Unidos saíssem da guerra em 1969, quase 20 mil soldados americanos teriam sobrevivido. Até 1973, quando o presidente Nixon, enfim, ordenou a retirada, 56 mil americanos morreram e mais de 300 mil voltaram para casa mutilados. Do lado vietnamita as mortes chegaram aos 2 milhões de pessoas.
As relações com a América Latina não seriam muito diferentes. Segundo Buzzanco, Bob era favorável à política externa de seu irmão, que apoiou regimes autoritários. “John sustentou golpes que derrubaram governos acusados de antiamericanos, como o do Brasil”, diz. Gunther Rudzit, no entanto, acredita que a eleição de Kennedy teria antecipado mudanças na diplomacia internacional americana que só chegaram com Jimmy Carter, no final dos anos 70. “É possível que as ditaduras latino-americanas tivessem vida bem mais curta”, afirma.
Para Eduardo Viola, cientista político e professor da Universidade de Brasília, as diferenças entre Estados Unidos e a antiga União Soviética teriam sido atenuadas com Kennedy. “O que talvez desse mais fôlego ao comunismo russo. Mas não temos como investigar se, com isso, ele teria conseguido superar a crise dos anos 80 e sobrevivido até hoje”, diz.

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