segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Todos os Caminhos Levam a Roma

Hoje em dia, os caminhos terrestres, aéreos ou marítimos levam viajantes a qualquer lugar. Porém, quando queremos dizer que todas as alternativas têm a mesma solução, dizemos que “todos os caminhos levam a Roma”. A tradição vem, é claro, dos tempos da antiga Roma, quando a cidade dos césares era o umbigo do mundo. “No século 1, quando o Império ia da Bretanha (na atual Inglaterra) à Pérsia (no atual Irã), Roma chegou a ter 80 mil quilômetros de estradas”, segundo pesquisa da historiadora Maria Luiza Corassin, da Universidade de São Paulo.
Mas as vias romanas não eram como as atuais, nem seus propósitos eram os mesmos. “Elas não se destinavam ao transporte de pessoas e cargas. Chamadas de cursus publicus, eram muito mais um meio de comunicação, por onde mensageiros levavam ordens de um canto a outro do império”, afirma Maria Luiza. Segundo ela, esse correio era tão eficiente que podia percorrer 270 quilômetros em um dia, marca que não foi superada na Europa até o século 19.
As estradas romanas eram verdadeiros prodígios para a engenharia da época. Eles usavam pedras e cimento acomodados sobre leitos aplainados e aterrados. As vias eram traçadas sempre em linha reta e passavam por cima de lagos, pântanos e montanhas. As pedras para o calçamento tinha superfícies curvas para facilitar a drenagem, outra novidade para a época. Ao largo delas havia postos de parada e descanso para guarnições militares.
Testemunhas do poder, da tecnologia e do espírito conquistador dos romanos, essas estradas não resistiram, porém, às invasões bárbaras a partir do século 3. Anos depois da queda definitiva do Império Romano do Ocidente, em 476, as pedras cortadas e polidas com precisão foram utilizadas para erguer os castelos medievais. Mas vestígios de algumas dessas estradas ainda podem ser vistos na Bretanha, por exemplo, ou em Roma, onde a principal delas, a Via Ápia, ainda recebe todos os anos milhões de visitantes.

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