segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Chile quer ser 'janela' do Mercosul

Jayme Brener
Uma economia aberta ao mercado mundial mas  solidamente ligada ao Mercosul, contribuindo para que ele se integre aos demais blocos econômicos. Foi assim que o chanceler chileno, José Maria Insunza, definiu a estratégia econômica de seu governo. Insunza concedeu a entrevista durante o seminário “Democracia, integração econômica e comunicação”, em Santiago (capital).
“Um dos elementos centrais, que permite pensar em integração, é o fato de que a América Latina, em sua quase totalidade, vive sob sistemas democráticos. Nos últimos dez anos, fomos capazes de garantir eleições livres, com as fraudes se transformando em algo residual. A participação eleitoral em nossos países é muito mais alta, por exemplo, do que nos Estados Unidos”, afirma.
“Mas as nossas democracias também se demonstraram mais frágeis do que em outras regiões. Quando os regimes democráticos não conseguem estabilizar a produção de bens nem proporcionar bens públicos, vem o chamado às soluções autoritárias. O chamado ao caudilho, ao líder messiânico e às soluções rápidas para os problemas”, diz o chanceler. “Em quase todos os países latino-americanos, crescem hoje as denúncias de corrupção, em geral envolvendo relações suspeitas entre os governos e a iniciativa privada. Muitas vezes essas denúncias são antigas, datam dos tempos das ditaduras militares. Mas estão  vindo à tona hoje por conta da liberdade de imprensa. É por isso que muitos políticos têm más relações com os meios de comunicação. Mas não acredito que haja qualquer líder político de peso no continente que não reconheça a importância da liberdade de imprensa”.
“Nesse contexto, a integração continental é uma forma de ampliar a prosperidade de nossos países e, assim, reduzir a tentação autoritária. O Chile fez suas opções.
Brasil, Argentina e o Mercosul estão entre nossos maiores parceiros comerciais. Estamos completamente comprometidos com o ingresso no Mercosul. Mas a economia chilena tem hoje uma vocação de abertura ao exterior. Nossa adesão ao Mercosul não pode e não deve ser vista como uma desistência de uma maior integração com o Acordo de Livre Comércio da América do Norte, nem com a União Européia ou o mercado da Bacia do Pacífico. Simplesmente porque os Estados Unidos são hoje um mercado ávido, muito interessante para nossos exportadores. Temos laços econômicos seculares com os membros da União Européia.
Sem falar da Espanha, que foi nossa metrópole  e com a qual mantemos sólidas relações culturais”.
Para Insunza, “o Chile pode funcionar como uma janela para o mundo. Uma chave de integração entre o Mercosul e os demais mercados internacionais”.
Boletim Mundo Ano 5 n° 2

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