segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

América: O Mapa da Discórdia

por Tatiana Penido
Em 1950, um mapa-múndi representando uma única massa de terra, visão típica do século 15, causou rebuliço no meio científico. Não por estar completamente superado, mas porque o que ele mostrava era inédito: era um mapa da América, com inscrições num antigo idioma nórdico, e no canto esquerdo havia uma ilha assinalada com o nome Vinland. Se fosse autêntico ele seria a prova da descoberta da América pelos vikings. As primeiras datações com carbono radioativo realizadas pela Universidade do Arizona caíram como uma bomba: ele seria do início do século 15, antes, portanto da viagem de Colombo.
Durante os últimos 50 anos, no entanto, sua legitimidade nunca foi um consenso. Em agosto passado, um novo estudo reacendeu a polêmica. Robin Clark e Katherine Brown, químicos da University College de Londres, na Inglaterra, afirmaram que a tinta usada no mapa contém dióxido de titânio, uma substância descoberta no século 20. “Uma convincente fraude foi realizada. Alguém pegou um pergaminho muito antigo e desenhou o mapa de Vinland”, diz Katherine. Thomas Cahill, especialista em documentos antigos da Universidade da Califórnia, no entanto, discorda. Ele analisou o mapa nos anos 80 e afirma que centenas de documentos medievais apresentam as mesmas características. Para ele, o dióxido de titânio pode ter se originado a partir do ferro, comum nas tintas da Idade Média.
A ironia disso tudo é que, se a polêmica sobre a autenticidade do documento está longe de chegar ao fim, aquilo que o mapa mostra não está mais sob suspeita. Sobre a chegada dos vikings na América, há cerca de mil anos, não restam mais dúvidas. Nos anos 60, arqueólogos descobriram vestígios de casas no estilo dos povos nórdicos da Europa na região de Terra Nova, no Canadá. Eles provaram que os vikings mantiveram contatos com índios da região por cerca de 300 anos.
Mas a briga sobre a legitimidade do mapa não é mera picuinha entre acadêmicos. Se for real, ele é o primeiro documento escrito a citar a existência da América. O que não é pouco.

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