segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Milênios de História Deixaram Legado de Conflitos

Até o início do século XX, a Palestina era parte do Império Otomano. Com o término da 1ª Guerra (1914-18), franceses e britânicos se apossaram do espólio geopolítico dos otomanos. A Palestina foi cedida a Londres, que teve que enfrentar o problema da migração judaica para a região. Já a Palestina aumentara muito, como reflexo do sionismo . Ainda assim, no início do
Século  XX os judeus eram apenas 10% da população. Após a 2ª Guerra (1939-45), o fluxo de judeus aumentou espetacularmente, até atingir 30% da população. Isso foi resultado conjugado do sionismo com o genocídio nazista.
Os sobreviventes passaram a acreditar que só estariam seguros num Estado judeu.
Em vão, Londres tentou conter o fluxo migratório.
Logo começaram os choques entre as duas comunidades, e delas com a administração britânica.
Em 1946-47 os conflitos adquiriram proporções de guerra civil. Impotente, Londres resolveu
se “desfazer” da Palestina, e passou o problema à ONU. Em novembro de 1947, a ONU apresentou um plano de partilha da Palestina em dois Estados, árabe e judeu. A divisão
baseava-se na repartição geográfica das populações que não distribuíam de forma homogênea
pretendida pela ONU. O plano foi aceito pelos judeus com a mesma rapidez com que foi
rejeitado pelos árabes. Em maio de 1948, o plano foi aprovado por uma Assembléia-Geral da
ONU. Imediatamente os judeus proclamaram o nascimento de seu Estado. Os árabes da Palestina e dos países vizinhos foram à guerra. Com o término do conflito, vencido por Israel, ocorreram importantes mudanças territoriais. O Estado palestino proposto pela ONU simplesmente desapareceu, pois o território a ele destinado foi dividido entre a Jordânia (Cisjordânia) o Egito e Israel. Aos palestinos sobrou a “escolha” de ficar em Israel – como cidadãos de segunda classe – ou migrar para os países árabes, e viver em campos de refugiados.
Um dos mais importantes conflitos entre árabes e judeus foi a Guerra dos Seis Dias (de 5 a 10 de junho de 1967). Com ataque surpresa, Israel derrotou Egito, Jordânia e Síria, ocupando a Península do Sinai e Gaza (do Egito), a Cisjordânia e as Colinas de Gola (da Síria. A ONU exigiu, várias vezes, a devolução dos territórios, mas apenas a Península do Sinai foi restituída ao Egito, como resultado dos acordos celebrados em 1979 em Camp David, local de descanso dos presidentes americanos, perto de Washington. Os acordos, patrocinados por Jimmy Carter, foram assinados por Menahem Béguin (Israel) e Anuar Sadat (Egito).
De certa forma, a Intifada prolonga a Guerra dos Seis Dias: os mesmos territórios estão em disputa.
Localizada junto ao Mar Mediterrâneo Oriental, na encruzilhada entre o mundo  ocidental e o árabe-muçulmano, a Palestina sofreu ao longo dos séculos múltiplas influências. No ano 2000 a.C., os hebreus (antigo nome dado aos judeus) ali se estabeleceram. A Palestina já era habitada pelos filisteus, antepassados dos árabes que ainda vivem na região. No início da era Cristã, a Palestina era parte do Império Romano. Uma revolta dos judeus contra Roma resultou
na sua expulsão da Palestina, fato que passou à História como diáspora.
Os judeus perderam seu território nacional, mas mantiveram sua cultura. No final do séc. XIX, foi criado o movimento sionista na Europa, que, alegando direito histórico, propunha a formação de um Estado judeu na Palestina. Criou-se, então, o quadro de tensão entre emigrantes judeus e palestinos. O confronto entre os direitos históricos dos judeus
e os adquiridos pelos palestinos é o ponto central da Questão Palestina.
SERVIÇO
Oriente Médio – Uma região de conflitos,
Nelson Bacic Olic, Moderna, SP, 1991
O Que É a Questão Palestina, Helena
Salem, Brasiliense, SP, 1982
Orientalismo, Edward Said, Companhia das Letras, SP, 1990
Vídeos:
• Lawrence da Arábia, David Lean – Inglaterra, 1962
O Embaixador, J. Lee Thompson – EUA, 1984
Exodus, Otto Preminger – EUA, 1960

Nenhum comentário:

Postar um comentário