segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Sonhos de Dois Povos se Chocam na Palestina

Expulsão de 415 palestinos de Israel, em dezembro, reabriu  feridas e, de novo, lançou a sombra da guerra
Até meados de dezembro, o Oriente Médio parecia ter diante de si um período de novas perspectivas. Havia indícios de que as negociações por uma Conferência Internacional de Paz,
iniciadas em Madri, em meados de 1991, estava isolando os radicais de todos os lados. O
fim da Guerra Fria afastara o “fantasma comunista” do Oriente Médio, e a vitória de George
Bush contra Sadam Hussein, em janeiro de 1991, dava a Washington condições para exigir
um acordo por um equilíbrio estável. Além disso, em Israel o governo do radical Likud, de Yitzhak Shamir, cedera lugar ao governo Yitzhak Rabin, do Partido Trabalhista, em tese mais flexível. Mas esse processo sofreu um revés com a inesperada expulsão de 415 palestinos para o sul do Líbano, em 17 de dezembro, por ordem de Rabin. De novo, tambores de guerra soaram nas colinas de Jerusalém. Nos meses seguintes, as lutas entre judeus e palestinos deram um salto. A intransigência de Rabin ganhava novo alento, estimulando
a Intifada – “revolta das pedras” árabe. O símbolo da Intifada, iniciada espontaneamente em dezembro de 1987, traduz plasticamente a sua essência: com paus e pedras, jovens palestinos lutam contra forças israelenses que desde 1967 ocupam os territórios da Cisjordânia e Gaza. A Intifada já causou centenas de mortes (no seu primeiro ano, 300 palestinos morreram e 6 mil foram enviados a campos de confinamento), milhares de feridos e de deportados para países árabes vizinhos. A Intifada reclama a criação de um Estado soberano com base na Cisjordânia e Gaza. Israel não aceita. Mas a crise não reflete um suposto ódio judaico-palestino, e sim um conjunto de fatores: interesses de Washington, arrogância de Israel, indiferença dos Estados árabes e fanatismo islâmico. Entre palestinos e judeus não há vencedores.

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