por Joanna de Assis
Um fragmento de um texto do poeta greco-siciliano Stesichorus, que viveu entre 638 e 555 a.C., pode botar de cabeça para baixo as teorias sobre a origem do nome da cidade que se transformou num dos maiores impérios de todos os tempos e, ainda hoje, está entre os locais mais visitados do mundo. Stesichorus atribui a fundação a uma mulher chamada, é claro, Roma. Depois da tomada de Tróia, por volta de 1200 a.C., alguns habitantes fugiram pelo mar e, levados pelos ventos, foram parar na costa da Etrúria, ancorando na foz do rio Tibre.
Encantada com a beleza idílica do lugar, Roma teria arquitetado com as outras mulheres um plano para colocar fogo nos navios, obrigando os maridos a permanecer no monte Palatino. Em pouco tempo, o resto do grupo se rendeu também aos encantamentos da região e decidiu homenagear Roma, dando seu nome à nova cidade. O poema relata um lugar cujas características geográficas batem em cheio com a área da cidade. A importância do relato é ainda maior porque Stesichorus nasceu apenas 115 anos depois da data em que se acredita que Roma teria sido fundada.
A teoria chegou para provocar mais polêmica entre historiadores. Alguns especialistas dizem que Roma foi erguida por Romano, filho de Ulisses e Circe. Outra versão é a de que a inspiração veio de um rei dos latinos, Romo. Há ainda a tese que sugere que a origem do nome estaria ligada ao verbo grego rheo, que significa “correr, fluir, escorregar”. Porém, a história mais corrente é a dos gêmeos Remo e Rômulo, amamentados quando crianças por uma loba. A cidade teria sido fundada por Rômulo em 753 a.C., depois de matar seu irmão.
“A fundação de Roma está envolta em lendas e mitos e deve, por algum tempo, continuar assim. Não há uma informação definitiva”, diz Maria Luiza Corassin, especialista em idade antiga da Universidade de São Paulo.
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