Chineses, como todo o mundo, adoram dirigir. Mas poucos têm carros. As montadoras globais de automóveis tremem de emoção e ganância diante da perspectiva, aberta pelas reformas econômicas, de que em breve dezenas de milhões de chineses comprem um carro. Os ecologistas também tremem, mas de medo. A causa? O efeito estufa.
O efeito estufa é, em princípio, um fenômeno natural e indispensável para a vida no planeta. Certos gases presentes na atmosfera, principalmente o dióxido de carbono (CO2), têm a propriedade de reter parte do calor refletido pela superfície, impedindo que ele se perca no espaço. O problema é que as concentrações de CO2 e de outros “gases de estufa” experimentam, nas últimas décadas, um forte crescimento. A maior parte dos especialistas acredita que esse crescimento deve ser atribuído essencialmente à intervenção antrópica. A queima de combustíveis fósseis pelas atividades industriais e por automóveis parece constituir a causa principal da elevação das concentrações de “gases de estufa” na atmosfera. Algumas previsões, bastante polêmicas, alertam para os riscos de um aumento médio de 3 graus Celsius na temperatura do planeta até o ano 2050, caso prossiga o ritmo de crescimento atual das emissões de CO2. O resultado seria o derretimento parcial das calotas polares e uma sensível elevação do nível médio dos oceanos.
Países altamente motorizados (como os EUA ou Cingapura) ou de base industrial eletro intensiva e forte dependência de combustíveis fósseis (Rússia ou a República Tcheca) são responsáveis pelas mais elevadas emissões per capita de CO2 (v. gráfico 1). Mas é preciso distinguir números relativos de absolutos: as emissões de Cingapura ou da República Tcheca são desprezíveis, em virtude da sua pequena base demográfica.
Não é o que acontece com a China ou a Índia: apesar das baixas emissões per capita, as emissões totais já são significativas, por razões óbvias. Se a motorização chinesa alcançasse os níveis da americana, o Panda asiático emitiria cerca de 22.800 bilhões de toneladas de CO2, dobrando as emissões globais atuais. Mesmo que eles se motorizem apenas como os sul-coreanos, as suas emissões totais chegarão quase ao dobro das americanas.
Boletim Mundo Ano 4 n° 5
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