Unificação do continente, pela força das armas, foi perseguida por romanos, carolíngios, franceses e alemães em séculos de guerras e conquistas
Europa é uma idéia bastante recente, do ponto de vista histórico.
Embora o termo Europa seja muito antigo, só a partir do século XVII ele passa a ser mais empregado e o seu uso só se generaliza realmente no século seguinte. Antes da Primeira Guerra Mundial (1914-18), os europeus estavam pouco interessados na Europa, como entidade política.
A história da evolução política do continente corresponde a uma sucessão de heranças superpostas que foram deixando marcas, algumas delas presentes, de uma forma ou de outra, até os dias atuais. Uma das heranças mais remotas pode ser identificada com o Império Romano, herdeiro ele mesmo da tradição cultural grega e o primeiro a conferir certa unidade política ao espaço europeu. Durante seis séculos, de 146 a.C. a 476 d.C, os romanos, através de campanhas militares, conquistaram e mantiveram um amplo domínio sobre a Europa mediterrânea e ocidental, até terem o Império destruído pelos povos que eles chamavam “bárbaros”.
A exemplo dos romanos, a união continental foi perseguida, pela via da conquista militar, durante a época de Carlos Magno. Com duração inferior a um século (786 a 843), o Império carolíngio também conseguiu conferir alguma unidade geopolítica às regiões da Europa centro-ocidental.
No início do século XIX, coube à França napoleônica perseguir a unificação européia. O Império napoleônico durou menos de 20 anos, mas em seu apogeu subordinou amplas áreas do continente. As guerras contra o domínio napoleônico ensejaram sucessivas coligações de Estados sob a liderança da Grã-Bretanha, que desempenharia no século XIX o papel de mediadora do equilíbrio geopolítico dos países do continente.
O Congresso de Viena (1814-15) re-configurou as fronteiras políticas do continente e estabilizou o sistema político-diplomático da Europa pós-napoleônica. Esse sistema caracterizava-se por um equilíbrio multipolar envolvendo as cinco mais importantes potências européias da época - a Grã-Bretanha, a França, a Prússia (depois de 1871, a Alemanha unificada), o Império Austro-Húngaro e a Rússia.
A aliança dessas potências tinha como objetivo evitar que qualquer uma delas pudesse sobrepujar as demais, estabelecendo a hegemonia continental O equilíbrio europeu começou a ser rompido com a Unificação alemã.
O crescimento do poderio econômico e militar da Alemanha, que acabaria transformando-a na primeira potência européia na virada do século, associado às tensões e disputas entre alemães e franceses e entre alemães e russos culminaram na Primeira Guerra Mundial. O conflito destruiu o sistema erguido um século antes em Viena e, politicamente, inaugurou o século XX.
Ao final da guerra, o mapa da Europa se achava mais fragmentado do que nunca. No vácuo aberto pelo desaparecimento dos impérios Alemão, Russo, Otomano e Austro- Húngaro surgiram inúmeros novos Estados.
A última tentativa de unificação geopolítica da Europa através da força militar aconteceu durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45). Em 1942, auge da expansão da Alemanha nazista, apenas Grã-Bretanha e a União Soviética resistiam à máquina de guerra criada por Hitler. Todo o restante do continente - excetuando Portugal, Espanha, Irlanda do Sul, Suíça e Suécia, países que tinham declarado neutralidade - encontrava-se sob ocupação militar.
A idéia da união continental através da integração econômica e política nasceu dos escombros da Segunda Guerra Mundial. No contexto bipolar da Guerra Fria, definido pela partição do continente nas esferas de influência dos Estados Unidos e da União Soviética, a unificação teria que permanecer limitada à Europa Ocidental.
O Tratado de Roma, de 1957, que criou a Comunidade Européia, deflagrou esse projeto.
Boletim Mundo Ano 4 n° 4
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