Nelson Bacic Olic
O estreito é um acidente geográfico definido como um canal natural ou um braço de mar que une dois mares diferentes ou partes de um mesmo mar. Como são locais onde a navegação se estrangula, os países que ficam às suas margens ocupam posições estratégicas, especialmente quando estão no caminho de importantes rotas do comércio internacional.
Entre os oceanos Índico e Pacífico existem vários estreitos como os de Sonda e Lombock (entre ilhas que formam o arquipélago da Indonésia), o de Luzon (entre Taiwan e Filipinas), o de Taiwan (entre Taiwan e a China continental) e o da Coréia (entre a Coréia do Sul e o Japão). Mas o mais importante deles é o de Málaca, entre a península de mesmo nome (onde estão Cingapura e parte da Malásia) e a ilha de Sumatra, uma das principais do arquipélago da Indonésia . Não só porque a partir dele as rotas comerciais podem tomar caminhos diferentes mas, principalmente, porque essa passagem reduz as distâncias a serem percorridas entre o Índico e o Pacífico.
Por esses estreitos, passam navios transportando produtos que representam cerca de 25% do comércio mundial como, por exemplo, a quase totalidade do petróleo que sai do Oriente Médio em direção ao Japão. Não se deve esquecer que, além do Japão, estão localizados junto ao litoral do Índico e Pacífico importantes países asiáticos como a Índia, a China, os “Tigres” (Coréia do Sul, Taiwan, Cingapura e Hong Kong) e os chamados “filhotes dos Tigres” (Malásia, Indonésia, Tailândia e Filipinas).
Praticamente todos os navios que passam pelo estreito de Málaca tomam o caminho do mar da China Meridional, cujas águas banham vários países do leste e sudeste da Ásia, como é o caso da China, Vietnã, Indonésia, Filipinas, Taiwan, Malásia e Brunei.
Todos esses países têm interesse em estender sua soberania sobre áreas desse mar, não só pela importância das rotas comerciais que o atravessam mas também devido à existência de reservas de hidrocarbonetos, especialmente petróleo, em sua plataforma continental.
Existem dois arquipélagos principais localizados no mar da China Meridional: o de Paracelso e o de Spratly. O primeiro é disputado pela China e Vietnã, que chegaram a travar pequenas batalhas navais em 1974. Em 1988, as ilhas Paracelso foram ocupadas pelos chineses, mas não está afastada a hipótese de novos confrontos entre os dois países pelo seu controle.
As ilhas Spratly estão situadas mais de mil quilômetros ao sul do litoral da China e a aproximadamente 500 quilômetros do litoral do Vietnã e das Filipinas.
O arquipélago é reivindicado por seis países: os três citados, além de Taiwan, Brunei e Malásia. A ocorrência de importantes jazidas de petróleo nas suas proximidades explica o grande interesse geopolítico que desperta.
Além dessas disputas, periodicamente o estreito de Taiwan é palco de tensões envolvendo as “duas Chinas”. A China Popular nunca aceitou a perspectiva de um Taiwan independente, considerando a ilha como uma província rebelde. Em 1996, nos meses que antecederam as eleições presidenciais taiwanesas, Pequim realizou uma série de manobras militares junto ao estreito de Taiwan, a fim de intimidar a ilha rebelde.
Era um recado para que a população não votasse em candidatos que apregoavam a independência de Taiwan.
Dos sete países banhados pelas águas do mar da China Meridional, a China é aquele que vem adotando posturas geopolíticas mais agressivas. Segundo o governo de Pequim, a China reivindica apenas os territórios com os quais tem vínculos históricos. Desde a derrota na Guerra do Ópio, o país sofreu perdas territoriais para nações vizinhas e deixou de desfrutar do respeito internacional que julgava merecer.
A China exibe na atualidade um acelerado crescimento econômico e um desenvolvimento no setor militar que inspira temores em seus vizinhos.
Percebendo que russos e americanos vêm, desde o fim a Guerra Fria, reduzindo as suas presenças na região do Pacífico, Pequim apressa-se a expandir a sua influência macrorregional. A hipótese de implantação de uma base militar chinesa em Hong Kong, funcionando como posto avançado no mar da China Meridional, sinaliza o aumento das tensões e atritos em toda a vasta área da Bacia do Pacífico.
Boletim Mundo Ano 5 n° 3
O mundo se estreita pela ocorrência de previsíveis guerras por estreitos de importãncia sem par para a econômia e o poder de decisão de uns poucos. Se bem que um certo entre os poucos que tanto podem, é senhor de muitos e grandes exércitos. Óxala não permita que tudo acabe de forma sangrenta.
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