Nelson Bacic Olic
Composta por mais de 17 mil ilhas, a Indonésia é o maior arquipélago do mundo, com superfície de 1,9 milhão de km2, configurando o anel marítimo externo do sudeste da Ásia. Situada em pleno Círculo de Fogo do Pacífico, está exposta periodicamente a terremotos e vulcanismo ativo, especialmente as ilhas de Sumatra e Java. Os climas equatoriais são dominantes e florestas densas, semelhantes à amazônica, cobrem metade de sua superfície.
O país é cortado pelo Equador e situado em um entroncamento estratégico do Oceano Índico, onde se cruzam os interesses de chineses, japoneses e ocidentais.
Devido à sua forma e localização, controla vários estreitos (Málaca, Sonda, Lombok, Macassar) que são importantes rotas de comércio. As estratégias da Indonésia repercutem sobre o conjunto dos esquemas de equilíbrio da porção sudeste do continente asiático.
Com 200 milhões de habitantes, é o quarto país do mundo em população. Embora de origem étnica variada, a religião muçulmana, praticada por quase 90% da população, representa o principal traço de unidade cultural. A densidade demográfica média é de 100 hab/km2, mas a distribuição da população é muito desigual. Quatro ilhas concentram 90% dos habitantes e apenas a ilha de Java, onde se situa a capital, Jacarta, abriga 60% dos habitantes.
Desde 1949, quando conseguiu sua independência da Holanda, o país iniciou uma política de expansão territorial, ao mesmo tempo que, internacionalmente, aparecia como um dos membros mais ativos do Movimento dos Países Não-Alinhados.
A Indonésia de Ahmed Sukarno, o primeiro presidente, foi a anfitriã da conferência afro-asiática que lançou a idéia do não-alinhamento, realizada em 1955 na cidade de Bandung.
O expansionismo regional da Indonésia apoiou-se em duas noções centrais: a de que o país era o herdeiro natural das antigas possessões coloniais holandesas e a de que deveria ser o pólo aglutinador dos povos de civilização malaia e religião islâmica de toda a região. Assim, a Indonésia anexou, nos anos 50, a porção sul da ilha de Bornéu (Kalimatan), as ilhas Célebes (Sulawesi) e as Molucas, sufocando movimentos separatistas.
Nos anos 60, ocupou a parte ocidental de Nova Guiné (Irian Ocidental).
Na mesma década se opôs, inicialmente, à independência da colônia britânica da Malásia e, posteriormente, tentou incorporar os territórios malaios de Sarawak e Sabah, localizados ao norte da ilha de Bornéu. Em 1975, finalmente, anexou a parte oriental do Timor, até então colônia de Portugal. Essa anexação, não reconhecida internacionalmente, desencadeou um violento conflito entre as forças de ocupação e a população local, que dura até hoje.
Boletim Mundo Ano 4 n° 5
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