domingo, 6 de fevereiro de 2011

“Plano Real domou inflação e acelerou o crescimento”

Completamos no mês de março dois anos e oito meses de Plano Real, e o balanço é extremamente positivo. Não só levamos a inflação a nocaute, como também não a deixamos sequer levantar a cabeça.
Fechamos 1995 com uma inflação anual de pouco mais de 20%. Fechamos 1996 com algo em torno de 10% e teremos em 1997 uma taxa ainda menor. Trata-se de imensa conquista, para um país que chegou a conviver com inflação mensal de 50%, mais de 12.000% ao ano.
O fim da superinflação produziu benefícios bastante concretos para a grande maioria dos brasileiros, em especial os mais pobres. A razão é que os mais pobres, muitos sem sequer ter conta em banco para não falar em acesso a aplicações financeiras - estavam inteiramente desprotegidos frente à brutal desvalorização da moeda.
Com o Real, a desvalorização da moeda passou a ser mínima e, como resultado, o poder de compra das pessoas de menor renda cresceu muito.
Todas as estatísticas o comprovam.
Algumas já são conhecidas, como as que revelam o grande aumento do consumo de alimentos (carnes, laticínios, feijão, etc.) e bens duráveis, desde geladeiras até televisões, passando por gravadores e vídeo -cassetes.
Outras foram menos divulgadas do que mereciam, como as que indicam um aumento de vários milhões de toneladas no consumo de cimento para auto construção e reforma de pequenas moradias. Isso tudo é qualidade de vida “na veia”, para as camadas mais pobres da população. Não é por acaso que o Real recebe respaldo popular tão grande (todas as pesquisas de opinião revelam apoio superior a 70%).
Existe, no entanto, um tipo de benefício produzido pelo Real que não se pode traduzir facilmente em números, mas que nem por isso é menos concreto ou importante.
Refiro-me à recuperação da capacidade de planejar a vida. Com inflação de 50% ao mês, planejar a vida era quase impossível, pois mal conseguíamos prever o que aconteceria na semana seguinte. O resultado era um profundo sentimento de insegurança, que levava pessoas, empresas, sindicatos e o próprio governo a agir como se o mundo fosse terminar dali a pouco, cada qual defendendo somente os seus interesses mais individuais e imediatos   um verdadeiro “salve-se quem puder”.
Com o Real, isso mudou. O futuro voltou a existir. As pessoas recuperaram a capacidade de pensar e realizar seus projetos de vida, as empresas passaram a investir, os sindicatos a lutar por outras coisas além do salário mensal, como por  exemplo a participação nos lucros das empresas, e o governo pôde concentrar-se na resolução dos problemas estruturais do país, como o déficit público e a má distribuição da renda, cuja solução demanda tempo e persistência.
Em uma palavra, com o Real o país recobrou o rumo, como diz o presidente Fernando Henrique.
Esse rumo jamais foi perdido, mesmo nos momentos mais difíceis, como depois da crise mexicana, em dezembro de 1994, quando houve risco de o Real naufragar, como naufragou o Plano Cruzado O consumo estava crescendo muito e de maneira excessivamente rápida, sem que a produção pudesse acompanhar esse ritmo e sem que houvesse condições de financiar um aumento ainda maior das importações.
A conseqüência inevitável seria uma forte pressão sobre os preços e a volta da inflação.
Foi necessário então, no início de 1995, tomar medidas duras para salvar o Real e manter o país no rumo certo. As taxas de juros subiram e apertou-se o crédito, isto é, restringiu-se a possibilidade de empresas e consumidores financiarem-se, direta ou indiretamente, através de empréstimos.
Com isso, freou-se a economia, que vinha como um trem em alta velocidade ameaçando descarrilar. O consumo caiu, a produção declinou e o desemprego subiu.
Foi um período difícil, mas necessário para não deixar o trem sair fora dos trilhos. Esse período durou mais ou menos de maio ou junho de 1995 até os primeiros meses de 1996. Ele está superado e a economia voltou a crescer, em bases seguras.
As taxas de juros estão em queda, o crédito volta à praça, com prazos e taxas mais convidativos, as vendas aumentam, a produção se amplia, o desemprego diminui e o investimento volta a ganhar fôlego. Só nos primeiros oito meses de 1996 entrou quase o dobro do investimento estrangeiro que em todo o ano de 1995, nada menos que 5,5 bilhões de reais.
O governo está fazendo a sua parte.
Não só cuidando de manter a inflação sob absoluto controle, mas também tomando medidas eficazes de estímulo ao crescimento econômico. Prova concreta disso, mas não a única, foi a aprovação da lei do ICMS, um dos importantes impostos do sistema tributário brasileiro. Só por conta da diminuição de impostos sobre o investimento e a produção, a maior realizada no país nos últimos trinta anos, o PIB vai aumentar em mais de 110 bilhões de reais nos próximos quatro anos. Isso significa mais renda e mais emprego para todos os brasileiros.
O rumo está traçado e o avião da economia brasileira encontra-se em plena decolagem.
Mito da modernização aproxima FHC de JK
FHC gosta de ser comparado a JK. O símbolo da sua campanha eleitoral - a mão espalmada exibindo os cinco dedos - retomava, sutilmente, o slogan dos “50 anos em 5” de Juscelino. Agora, como quatro décadas atrás, a legitimidade política é buscada através da bandeira da modernização industrial.
Mas o paralelo tem sentido?
Na superfície, sim. Na esfera política, os anos JK (1956-61) foram, como agora, uma época de vigência das liberdades básicas - ainda que, naquela época, continuasse valendo a proibição do PCB decidida por Eurico Gaspar Dutra. Na esfera econômica, o Plano de Metas deflagrou uma onda de investimentos estrangeiros que instalaram, de um golpe, a indústria de bens duráveis no país. A “era FHC” pode repetir o feito, como parecem mostrar os investimentos no setor automobilístico e nas telecomunicações.
Uma análise mais profunda revela um FHC que é quase o oposto de JK. Juscelino conduziu a principal etapa do processo de substituição de importações, que alicerçou o crescimento industrial do país na proteção do mercado interno e gerou um modelo de aliança entre o Estado-empresário e o grande capital transnacional e nacional. Fernando Henrique conduz o mergulho do Brasil na economia globalizada. O Estado abdica das suas funções empresariais, promove as privatizações e abre concessões de infra-estruturas e serviços públicos para o capital privado. O mercado interno se integra ao mercado mundial.
Há mais uma coisa. JK conviveu passivamente com a herança de desigualdade e injustiça social. FHC prometeu atacar o abismo estrutural entre ricos e pobres mas, nesse terreno, pouco realizou no primeiro mandato. Hoje, pede outro e repete a promessa.
Boletim Mundo Ano 5 n° 1

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