Quase todos são militantes de extrema-direita.
Na Guerra dos Seis Dias, em 1967, Israel derrotou uma coligação de países árabes e ocupou os territórios palestinos da Cisjordânia, Faixa de Gaza e Jerusalém Oriental, além da península do Sinai, do Egito, e das Colinas de Golã, da Síria. A península do Sinai foi devolvida ao Egito por decisão dos Acordos de Camp David, concluídos em 1979. A retirada em curso será a primeira remoção de assentamentos judaicos dos territórios ocupados por Israel desde os Acordos de Camp David. Na época, os protestos de colonos extremistas contra a remoção de assentamentos judaicos levaram à intervenção do exército.
O passo seguinte do Plano Sharon será a remoção, seletiva e parcial, de assentamentos judaicos na Cisjordânia, onde vivem cerca de 240 mil colonos. O governo israelense quer manter seis grandes bolsões de assentamentos na Cisjordânia, com uma população estimada em 92 mil pessoas. A retirada das tropas estaria condicionada à suspensão das atividades dos grupos armados palestinos contra Israel.
Sharon notabilizou-se, na sua carreira política, como campeão do expansionismo israelense e defensor intransigente da estratégia de implantação de assentamentos (colônias) nos territórios ocupados. Hoje, apresenta-se como promotor da paz e sofre ameaças de morte de colonos extremistas. Mas a “paz” de Sharon é a paz dos expansionistas. Para o primeiro-ministro, a retirada total de Gaza e parcial da Cisjordânia traçaria as fronteiras de um futuro Estado palestino. Parte da Cisjordânia seria anexada a Israel, que nem colocaria em debate a exigência palestina de ter Jerusalém Oriental (ainda ocupada) como capital.
A operação geopolítica do Plano Sharon envolve a construção de uma fronteira física entre o Estado de Israel, ampliado com a anexação de Jerusalém Oriental e partes da Cisjordânia, e o futuro Estado Palestino. O chamado “muro de segurança”, cujas obras encontram-se em pleno andamento, consolidará as anexações e, de passagem, isolará quase completamente dezenas de povoados palestinos do restante do futuro Estado Palestino . Além disso, a estratégia do primeiro-ministro prevê a manutenção do controle militar de Israel sobre o vale do rio Jordão, na fronteira entre a Cisjordânia e a Jordânia, e sobre eixos de transporte estratégicos que cruzam a Cisjordânia.
Trata-se de um recuo importante em relação ao plano apresentado em 2000 pelo ex-ministro trabalhista Ehud Barak, prevendo a construção do Estado palestino em 96% do território da Cisjordânia e Gaza, além de admitir algum tipo de soberania palestina parcial sobre Jerusalém Oriental. A decisão das autoridades palestinas, de não aceitar o plano Barak, e a provocação de Sharon, ao “vistoriar” a Esplanada das Mesquitas com imponente aparato de segurança, foram os estopins da revolta palestina e da paralisação do processo de paz.
O Plano Sharon destina-se a estabilizar a expansão de Israel e constituir um Estado palestino fragmentário. Acontece que a história às vezes prega suas peças. A ultra direita israelense não aceita a retirada da Faixa de Gaza (muito menos de partes da Cisjordânia), qualifica Sharon de traidor e ameaça com ações terroristas. Em entrevista recente, Sharon afirmou: “Passei a vida protegendo os judeus. Agora, tenho que me proteger de judeus”. A referência era óbvia: seu antecessor, o trabalhista Itzhak Rabin, foi assassinado por um extremista judeu em 1995. Na mesma entrevista, Sharon referia-se à possibilidade de uma guerra civil entre a população judaica.
Astúcia da história: a perspectiva de resistência armada da ultra direita judaica contra o Plano Sharon aproximou o primeiro-ministro israelense do novo líder da Autoridade Palestina, Ahmed Qurei. Ele não tem nenhuma simpatia pelo plano unilateral de Israel e, ao contrário de Sharon, não aceita vincular a retirada às novas fronteiras palestinas. Mas, por seu empenho em controlar os grupos guerrilheiros palestinos, Qurei parece acreditar que é melhor apanhar o que consegue e negociar novas concessões mais adiante.
Boletim Mundo n° 3 Ano 13
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