As regiões mais contempladas, em termos do número de novos projetos, são a Nordeste e a Sudeste, que somam quase 70% deles. Contudo, o número de projetos pouco significa, sob o ponto de vista financeiro. Quanto ao montante de investimentos, registra-se um quadro bastante diferente: o Sudeste, isoladamente, concentra quase metade do total, enquanto o Nordeste fica com cerca de 30%. Todavia, chama a atenção o fato de que o Sul receberá o menor montante.
Dados mais detalhados revelam que a região Norte apresenta uma expressiva concentração de projetos e investimentos na Zona Franca de Manaus (ZFM). A outra área de grande importância nessa região está ligada aos empreendimentos da metalurgia do alumínio do Pará, atividade que exige sempre muitos recursos. O resto da região está praticamente alijada dos grandes investimentos.
Na região Nordeste, o destaque é a Bahia, que concentra cerca de 70% dos novos projetos e 25% dos investimentos.
Os investimentos previstos para o estado envolvem 19 municípios, com destaque para os de Camaçari e Candeias. Esses municípios receberão aproximadamente 20% do total de investimentos da região e 88% dos investimentos do estado. O pólo de Camaçari, tradicionalmente ligado à petroquímica, vai receber investimentos em vários ramos industriais. Candeias terá ênfase no setor alimentar. Os dois municípios fazem parte da Região Metropolitana de Salvador, o que revela a concentração espacial dos investimentos na Bahia.
Os investimentos no Centro-Oeste sinalizam para uma maior diversificação industrial, apesar da região estar tradicionalmente ligada ao setor de alimentos. Metade dos novos projetos estão concentrados em Goiás, mas quase três quartos dos investimentos serão efetuados em Mato Grosso do Sul, vinculados ao setor de celulose (Três Lagoas).
Na região Sul, os projetos previstos são poucos, de baixo valor, mas diversificados, não só do ponto de vista dos setores industriais, quanto da sua distribuição por estados. Não estão previstos investimentos para Florianópolis, Porto Alegre e, em Curitiba, eles serão inexpressivos.
Já o Sudeste concentra quase metade dos investimentos previstos, que estão distribuídos por 48 municípios e abrangem um amplo leque de setores industriais. Especialmente nos estados de São Paulo e Minas Gerais confirma-se a tendência à implantação de empresas industriais em localidades com condições favoráveis de competitividade. Assim, os maiores investimentos serão realizados em municípios das regiões metropolitanas de São Paulo e Belo Horizonte e também ao longo dos eixos viários que conectam essas metrópoles a outras regiões dos estados.
Pode-se afirmar que os novos investimentos vêm cristalizar a situação definida ao longo da última década. No Nordeste, o destaque fica para a Bahia, o mais industrializado estado da região, no qual a fase atual parece indicar para uma maior diversificação setorial da indústria.
No Norte, a industrialização induzida por incentivos governamentais criou verdadeiros enclaves desarticulados da economia regional. O Centro-Oeste, em função da grande expansão do agronegócio, começa a diversificar seu setor industrial.
Contudo, é surpreendente a constatação dos parcos investimentos industriais no Sul. A explicação talvez esteja ligada a uma combinação de fatores, entre os quais o relativo fracasso do Mercosul nos últimos anos.
Boletim Mundo n° 5 Ano 13

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