Como explicar a discrepância?
O IPEA, vinculado ao Ministério do Planejamento, trabalha com bases estatísticas fornecidas pelo IBGE e com padrões recomendados pela ONU. No caso, os números adotados foram obtidos pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) realizada em 2003, que considera como pobres todos os que vivem com renda familiar per capita de até meio salário mínimo (ou R$ 120,00 à época), e como indigentes os que vivem com até um quarto desse valor. Já o governo considera pobres as famílias com renda per capita até R$ 100, e indigentes, até R$ 50. Além disso, o IPEA faz suas projeções com base no número de pessoas, ao passo que o governo considera o número de famílias.
O problema foi levado ao ministro Paulo Bernardo (Planejamento), que declarou não ter se dado conta, até aquele momento, da diferença de critérios e números resultantes.
Para Anna Peliano, diretora de Estudos Sociais do IPEA e coordenadora do “Radar Social”, a dimensão da pobreza seria avaliada com mais exatidão se fosse levado em conta o poder de compra das famílias. O desconcerto evidencia o fato de que não foi estabelecido um critério claro que permita identificar a linha oficial de pobreza no país, apesar do esforço solicitado, nesse sentido, pelo presidente Lula desde o seu primeiro dia de mandato.
Descontadas as discrepâncias, o “Radar Social” revela que o Brasil ainda é o país mais desigual do planeta, perdendo apenas para Serra Leoa, na África. Em 2003, o grupo de 1% dos brasileiros mais ricos detinha renda equivalente à dos 50% mais pobres. Em 2003, a taxa de desemprego no Brasil foi de 10%, muito alta quando comparada à média mundial de 6,2% e à média da América Latina e Caribe, de 8%. Entre as grandes regiões, apenas o Oriente Médio, a África do Norte e a África Subsaariana apresentam índices de desemprego piores do que os brasileiros.
Boletim Mundo n ° 4 Ano 13
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